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Impeachment de ministros do STF é um risco real? Cientista político aponta o ‘maior problema’ na Corte

Para Adriano Cerqueira, a perda gradual de apoio popular seria a preocupação principal

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 19h00 •
  • A sucessão de controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal, em especial no contexto do caso Banco Master, voltou a alimentar no Congresso discursos sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte. O tema, que parecia restrito à retórica política, ganhou novo fôlego diante do desgaste público do Judiciário e do avanço de pautas mais agressivas no Legislativo (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Na avaliação do cientista político e professor do Ibmec Adriano Cerqueira, episódios recentes “dão munição” a setores que defendem medidas extremas contra ministros do STF, criando um ambiente de instabilidade entre os Poderes.

    Impeachment de ministros é uma ameaça real?

    Cerqueira pondera que, diferentemente dos impeachments presidenciais recentes — como os de Fernando Collor, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2016 —, a eventual abertura de processos contra ministros do STF exigiria denúncias consistentes de imoralidade ou comportamento incompatível com o cargo. “Não seria um movimento puramente revanchista”, afirma.

    Segundo ele, caso a oposição conquiste maioria no Senado e a Presidência da República, o risco institucional aumenta. Nesse cenário, denúncias associadas à conduta de ministros poderiam servir de base para a abertura de processos, deflagrando uma crise entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

    Por que o desgaste da Corte preocupa?

    O professor avalia que o principal risco para o STF é a perda gradual de apoio popular. Notícias negativas recorrentes e questionamentos sobre a atuação de ministros contribuem para uma imagem pública fragilizada, o que abre espaço para pressões políticas mais duras.

    Nesse contexto, Cerqueira cita o alerta feito pelo presidente da Corte, Edson Fachin, sobre a necessidade de contenção e autocontrole institucional. Para o analista, medidas internas de correção de conduta funcionariam como uma forma de autoproteção diante de um cenário político cada vez mais hostil.

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    Como a eleição presidencial entra nessa equação?

    O ambiente eleitoral tende a intensificar tensões. Cerqueira observa que as pesquisas indicam uma largada mais difícil para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que em 2022, quando venceu por margem estreita. A combinação de uma eleição competitiva com um Congresso mais oposicionista amplia o risco de confrontos institucionais.

    Se a oposição vencer o Planalto e controlar o Legislativo, afirma, o STF poderá se tornar alvo prioritário de iniciativas de controle externo e questionamentos formais sobre a atuação de seus ministros.

    Qual o peso das mobilizações de rua nesse processo?

    A força das mobilizações de direita também entra no cálculo. Cerqueira cita a caminhada liderada pelo deputado Nikolas Ferreira, que reuniu milhares de pessoas em Brasília e gerou grande engajamento nas redes sociais. Para ele, trata-se de um exemplo de ação política orgânica, descentralizada e altamente eficiente em comunicação digital.

    Esses atos, embora tenham pautas específicas — como anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro —, também canalizam insatisfações difusas da população, sobretudo relacionadas à economia, à carga tributária e à insegurança pública.

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    A pauta da direita vai além da anistia?

    Segundo Cerqueira, reduzir o discurso da oposição à defesa da anistia é um erro. Questões econômicas, custo de vida, serviços públicos e segurança aparecem de forma transversal nas mobilizações e tendem a ganhar centralidade ao longo do ano eleitoral.

    Ele avalia que o governo tentará manter o foco no tema da democracia e da tentativa de golpe, enquanto a oposição buscará deslocar o debate para problemas concretos do cotidiano. “É aí que a direita acredita ter mais a oferecer”, diz.

    A fragmentação da oposição é fraqueza ou força?

    Embora fragmentada, a oposição pode se mostrar eficaz. Cerqueira lembra que, nas eleições municipais de 2024, candidaturas múltiplas de direita no primeiro turno acabaram convergindo no segundo, enquanto a esquerda, em alguns casos, ficou fora da disputa final.

    Para o cientista político, a tendência é que não haja “autofagia” entre candidatos de direita em 2026. “O foco será o enfrentamento ao governo”, afirma, apostando em acordos de apoio mútuo no segundo turno.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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