Guerra civil? Novas eleições? Especialista alerta sobre futuro da Venezuela
Declaração de Trump joga incerteza sobre a sucessão em Caracas e reforça a tese de uma transição lenta, negociada e sob forte pressão externa
A afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não espera eleições na Venezuela em um prazo de 30 dias adicionou uma nova camada de tensão ao já caótico cenário político do país. A fala ocorreu após a vice-presidente Delcy Rodríguez assumir interinamente o comando do país, com o respaldo das Forças Armadas e da Assembleia Nacional (este texto é um resumo do vídeo acima).
No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o professor de Relações Internacionais do Ibmec Leonardo Paz analisou os desdobramentos do momento venezuelano e foi direto: a queda de Maduro não significou, automaticamente, o fim do chavismo nem do autoritarismo no país.
A posse interina resolve o problema constitucional?
No aspecto formal, sim. Segundo o professor, a Constituição venezuelana prevê que a vice-presidente assuma em caso de vacância. O problema está longe de ser jurídico. O que domina o cenário agora é a disputa política e a leitura — deliberadamente ambígua — sobre a necessidade de convocar eleições imediatas.
“A Constituição permite interpretações distintas, e isso abre espaço para decisões essencialmente políticas”, resume Paz.
Quem manda hoje em Caracas?
A resposta curta: quem tem poder de veto. E esse poder, neste momento, não está apenas dentro da Venezuela. A operação que levou à queda de Nicolás Maduro foi, nas palavras do professor, “brutalmente eficiente” e colocou os Estados Unidos no centro das decisões.
Delcy Rodríguez, agora presidente interina, tornou-se o novo foco da pressão americana. “Ela sabe que pode ser o próximo alvo se não entregar algum tipo de acomodação aos interesses de Washington”, afirma.
Por que Trump não quer eleições agora?
Porque uma transição acelerada pode produzir exatamente o oposto da estabilidade. Uma eleição em poucas semanas, segundo a análise, poderia detonar uma crise ainda mais grave, com risco real de violência interna.
O chavismo, ao longo dos anos, armou e treinou milhares de civis. Embora incapazes de enfrentar forças estrangeiras, esses grupos têm potencial para gerar caos urbano, confrontos localizados e uma espiral de instabilidade.
As Forças Armadas aceitariam uma mudança de regime?
Provavelmente, sim — desde que haja garantias. Para Leonardo Paz, os militares venezuelanos tendem a agir de forma pragmática. Anistia, preservação de privilégios e segurança pessoal pesam mais do que fidelidade ideológica.
“Eles não vão comprar uma briga direta com os Estados Unidos”, diz.
O chavismo acabou?
Não. E esse é um ponto central. A saída de Maduro não desmontou o núcleo do poder chavista. Parte significativa da elite política e administrativa permanece intacta, o que indica que qualquer transição será negociada — e lenta.
A presidente interina se encontra espremida entre a ala dura do chavismo e a pressão direta dos Estados Unidos, agora muito mais presentes na política venezuelana.
O risco de guerra civil está descartado?
Não completamente. Embora improvável em larga escala, o cenário de confrontos internos, sabotagens e violência localizada não está fora do radar. Por isso, segundo o professor, uma transição gradual é vista como menos perigosa do que uma ruptura abrupta.
O que vem pela frente
A curto prazo, mais incerteza. Eleições não estão descartadas, mas tampouco parecem iminentes. O tempo virou ativo estratégico — tanto para os atores internos quanto para Washington.
Na Venezuela, o pós-Maduro ainda está longe de significar normalidade. E, ao contrário do que muitos esperavam, o relógio da democracia parece rodar em câmera lenta.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





