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Futuro governador de MG ameaça descumprir decisão judicial e colocar ‘limites’ no TJMG

Matheus Simões (PSD) assume o governo em março com a renúncia de Zema e será candidato em outubro, mas encontra dificuldades em sua estratégia eleitoral

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 17h47 • Atualizado em 10 fev 2026, 22h47
  • O vice-governador de Minas Gerais, Matheus Simões (PSD) — que assumirá o governo no próximo mês, quando o governador Romeu Zema (Novo) se desincompatilizar antes do prazo final para concorrer à Presidência da República — comprou uma briga com o Judiciário mineiro nesta segunda-feira, 9, ao declarar que pode descumprir decisões judiciais técnicas e afirmar que pretende colocar limites ao Tribunal de Justiça do estado.

    Tudo começou quando Simões se posicionou contrário a uma decisão técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre um programa que ele deseja tirar do papel para construção de escolas cívico-militares estaduais — o que, segundo o TCE, não tem previsão orçamentária e nem planejamento de execução.

    A decisão do órgão de contas foi referendada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o que irritou o futuro governador. “Eu não admito interferência de Judiciário, de Tribunal de Contas, em decisões administrativas. Se querem ficar presos em tecnicalidade, para tentar impedir que a gente faça o sistema crescer, eles escolheram o adversário errado, porque advogado eu também sou, e podem se preparar, porque eu vou criar mais cinco modelos diferentes, e eles vão ter que correr mais cinco vezes atrás de mim na Justiça. Pode preparar para mandar me prender, porque eu vou abrir colégios cívico-militares assim que eu, no exercício como governador do estado de Minas, dentro de sessenta dias”, afirmou Simões.

    E seguiu criticando o Judiciário estadual, fazendo referência ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima da Justiça no Brasil: “Respeito muito os poderes, desde que eles respeitem o papel do Executivo e que eles se restrinjam a decidir sobre aquilo que compete a eles pela Constituição. Se eles tentarem atravessar a linha, vão ter que sofrer as consequências, porque nós não estamos submetidos ao Judiciário como muitas vezes parece. Eles têm limite, e alguém tem que começar a frear a atuação dos juízes neste país. Se, infelizmente, o STF não encontra limites em Brasília, em Minas Gerais o Tribunal de Justiça vai começar a conhecer limites“.

    A briga que Simões comprou faz parte de uma estratégia eleitoral mais ampla, uma tentativa de se aproximar do eleitor bolsonarista, já que a grande aliança de direita que ele vinha tentando construir em torno de seu nome para a eleição estadual começou a ruir no últimos dias — primeiro porque ele apoia Zema para Presidência, mas seu partido, o PSD de Gilberto Kassab, quer seu apoio ao candidato da própria sigla, o colocando em dificuldades internas. Segundo, porque, com a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a crescente força eleitoral do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), ele vem perdendo o apoio do PL, que busca um candidato ao governo que esteja disposto a abrir palanque para Flávio. E, por fim, pelo risco de o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lançar sua candidatura ao governo estadual, como favorito nas pesquisas, e acabar abrindo palanque para Flávio e atraindo os partidos de direita almejados por Simões.

    Apesar de estar no PSD, partindo com enorme capilaridade nos municípios, Simões não é muito conhecido, “ainda não tem recall”, como avalia Kassab, e pontua muito mal nas pesquisas, geralmente ficando abaixo de 5% das intenções de voto até agora. O vice-governador estava apostando na sua frente de direita, por um lado, e na visibilidade que começará a ter ao assumir o governo em março.

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