‘Falta de vergonha na cara’, diz Túlio Gadêlha sobre emendas do orçamento secreto
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, o deputado da Rede elogiou a decisão do ministro do STF Flávio Dino e criticou a tentativa de manobra no Congresso
O deputado federal Túlio Gadêlha (Rede-PE) afirmou que a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, de suspender a tentativa de ressuscitar emendas do antigo orçamento secreto foi essencial para barrar um “retrocesso institucional”. Segundo ele, o dispositivo incluído no PLP 128 funcionava como um jabuti para reativar a emenda de relator, mecanismo que, na avaliação do parlamentar, “não tem transparência, não tem critério e preocupa muita gente no Parlamento”.
Gadêlha foi um dos autores do pedido apresentado ao Supremo para barrar o artigo que liberava cerca de R$ 3 bilhões de reais em restos a pagar de emendas entre 2019 e 2023. Para o deputado, a iniciativa escancarou uma prática recorrente no Congresso. “É uma falta de vergonha na cara você aprovar um projeto com um jabuti no meio, que não tem nada a ver com o texto original”, disse em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA.
O parlamentar afirmou que a tentativa de reativar essas emendas ocorreu de forma silenciosa, aproveitando o ritmo acelerado das votações de fim de ano. “O relatório chegou minutos antes do debate. Quando a gente foi olhar com cuidado, encontrou esse artigo ressuscitando um instrumento que já tinha sido enterrado pelo STF”, afirmou. Dino suspendeu o trecho antes mesmo da sanção presidencial.
Na avaliação de Gadêlha, o crescimento das emendas parlamentares representa um “sequestro” de atribuições do Executivo e abre espaço para desvios. “Você tira do governo a capacidade de planejar políticas públicas e cria brechas enormes para a malversação do dinheiro”, disse, citando investigações da Polícia Federal que apuram o uso irregular desses recursos. Na semana passada, o Congresso aprovou mais de R$ 60 bilhões em emendas no orçamento do ano que vem.
O deputado criticou o impacto do modelo sobre a democracia. Segundo ele, a concentração de verbas nas mãos de parlamentares em exercício distorce o jogo eleitoral e dificulta a renovação política. “Isso fragiliza a democracia, porque tudo passa a girar em torno de dinheiro e não de ideias”, afirmou, defendendo a redução das emendas e regras mais rígidas de transparência.





