Clique e assine a partir de 9,90/mês

Ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro é preso

Edmar Santos é investigado por suspeitas de irregularidades em contratos do governo Witzel durante a pandemia de coronavírus

Por Cássio Bruno - Atualizado em 10 jul 2020, 09h39 - Publicado em 10 jul 2020, 08h15

O ex-secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro Edmar Santos foi preso na manhã desta sexta-feira, 10, em Botafogo, na Zona Sul da capital. Ele é investigado por suspeitas de irregularidades em contratos emergenciais sem licitação de quase um bilhão de reais do governo Wilson Witzel (PSC), durante a pandemia do novo coronavírus. A ação faz parte de mais um desdobramento da Operação Mercadores do Caos, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público (MP-RJ) em parceria com a Polícia Civil.

“O MP-RJ requereu, e obteve na Justiça, autorização para acesso e extração do conteúdo armazenado nos materiais apreendidos, como telefones celulares, computadores e pen drives, inclusive de registros de diálogos telefônicos ou telemáticos, como mensagens SMS ou de aplicativos como WhatsApp, dentre outros. Este trabalho técnico será realizado pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MP-RJ). Também foi deferida pela Justiça a medida assecuratória de arresto de bens e valores de Edmar até o valor R$ 36.922.920,00, equivalente aos recursos públicos desviados em três contratos fraudados para aquisição dos equipamentos médicos”, diz a nota dos promotores.

ASSINE VEJA

Vacina contra a Covid-19: falta pouco Leia nesta edição: os voluntários brasileiros na linha de frente da corrida pelo imunizante e o discurso negacionista de Bolsonaro após a contaminação
Clique e Assine

Edmar Santos era o chefe do ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves, que está preso. Em entrevista exclusiva a VEJA em abril, Neves revelou que as compras da secretaria eram determinadas por Santos. Em Bangu 8, durante depoimento aos promotores, o ex-subsecretário admitiu as irregularidades nos contratos. Os dois foram exonerados dos cargos por Wilson Witzel. No entanto, o governador deslocou Edmar Santos para outra função, mas a Justiça impediu o ex-secretário de continuar trabalhando na gestão estadual.

“Nas investigações sobre a organização criminosa que se infiltrou e se apoderou das estruturas da Secretaria Estadual de Saúde do Rio, foi identificado, além do  ex-subsecretário executivo Gabriell Neves, a presença de outro comandante do grupo: o próprio Edmar Santos, que sempre alegou desconhecer a existência de qualquer esquema de desvio de recursos e, mesmo, após a prisão preventiva de membros da organização da qual fazia parte, continuou no cargo de secretário por algumas semanas, até ser exonerado”, explicou o MP-RJ.

Continua após a publicidade

Na denúncia apresentada à Justiça, o MP-RJ ressaltou que, mesmo após a descoberta do esquema de desvio de recursos, a influência política de Edmar Santos permaneceu no governo Witzel. “Como fundamento para a prisão preventiva, o MPRJ aponta que, em liberdade, Edmar ainda pode adotar condutas para dificultar mais o rastreamento das verbas públicas desviadas, bem como destruir provas e até mesmo ameaçar testemunhas”, afirmaram os promotores.

Agentes da Delegacia Fazendária da Polícia Civil cumpriram ainda mandados de busca e apreensão em outro imóvel de Edmar Santos, em Itaipava, Petrópolis, Região Serrana do estado. A determinação foi do juiz Bruno Rulière, da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital. Além da Operação Mercadores do Caos, o governo Witzel também foi alvo de outras duas ações para combater a corrupção em contratos em meio à pandemia: a Favorito, que prendeu o empresário Mário Peixoto, principal fornecedor de mão-de-obra do Palácio Guanabara, e a Placebo, força-tarefa que mirou o próprio governador e a primeira-dama Helena Witzel em buscas e apreensões. As duas últimas foram realizadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal.

Publicidade