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‘Este hemisfério é de todos nós’, diz Lula em artigo no New York Times

Em texto sobre a ação dos EUA na Venezuela, Lula condenou líderes que ameaçam a democracia, mas critica o uso da força e a intervenção externa como solução

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jan 2026, 12h03 • Atualizado em 18 jan 2026, 13h13
  • Em um artigo publicado neste domingo, 18, no jornal norte-americano The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamou de “lamentável” os recentes ataques dos Estados Unidos à Venezuela, que culminaram com a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e que, de acordo com o mandatário brasileiro, retroalimentam a “erosão contínua da lei internacional e da ordem multilateral estabelecida desde a Segunda Guerra Mundial”.

    “Ações unilaterais”, “incursões neocolonialistas” e a política do “medo” e da “coerção” por grandes potências foram algumas das expressões usadas por Lula no artigo intitulado “Este hemisfério pertence a todos nós”, em que o presidente analisa os impactos negativos do crescimento no uso da força no contexto global, reforça o pluralismo e o histórico pacífico da América Latina e defendo o diálogo como caminho para a solução de conflitos.

    Sem citar diretamente o regime autoritário comandado há 13 anos por Maduro, mas numa rara menção aos cerceamentos políticos de seu colega, Lula afirmou que os chefes de “qualquer país podem ser responsabilizados por atitudes que enfraqueçam a democracia e direitos fundamentais”. “Nenhum líder tem o monopólio do sofrimento de seu povo”, afirmou.

    O petista defende, contudo, que esta é uma prerrogativa soberana de cada nação – “o futuro da Venezuela e de qualquer outro país deve continuar nas mãos de seu povo” – e condena tanto a intervenção unilateral quanto o uso da força para isso. “Nenhum líder tem o monopólio do sofrimento de seu povo. Mas não é legítimo que outro Estado tome para si o direito de fazer justiça”, escreveu. “Quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser a exceção para ser a regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais são ameaçadas. (…) Sem regras acordadas coletivamente, é impossível construirmos sociedades livres, inclusivas e democráticas”.

    Lula também destacou o diálogo que seu governo abriu e tem mantido com o presidente norte-americano, Donald Trump, e defendeu esta via como o caminho para encontrar soluções conjuntas para “os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”. “Nós [o Brasil e os Estados Unidos] somo as duas democracias mais populosas dos continentes americanos”, diz o artigo. “Nós do Brasil estamos convencidos de que unir os nossos esforços em torno de planos concretos de investimentos, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir.”

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    O presidente brasileiro reforçou, ainda, o diálogo mantido com a Venezuela e lembra o apoio dado pelo Brasil aos milhares de refugiados venezuelanos abrigados pelo país. “Só um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode dar origem a um futuro democrático e sustentável”, diz. “Esta é uma condição essencial para que milhões de venezuelanos, muitos deles temporariamente abrigados no Brasil, possam retornar em segurança para casa. O Brasil continua trabalhando com o governo e a população venezuelana para proteger as mais as mais de 1.300 milhas (2.000 quilômetros) de fronteiras que compartilhamos e aprofundar a nossa cooperação.”

    Lula reforçou o histórico particularmente pacífico da América Latina e defendeu sua busca por pluralidade. “Em mais de 200 anos de independência, esta é a primeira vez que a América do Sul passou por um ataque militar direto pelos Estados Unidos, mesmo as forças americanas tendo intervindo na região no passado”, diz. “Nós não vamos ser subservientes a empreitadas hegemônicas. Construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que combina conosco.”

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