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Escola de samba de SP que vai homenagear o MST recebeu dinheiro do governo Lula

Acadêmicos do Tatuapé ganhou recursos destinados a 'Projetos de Defesa Nacional'

Por Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 15h35 • Atualizado em 11 fev 2026, 15h47
  • Campeã do desfile das escolas de samba de São Paulo em 2017 e 2018, a Acadêmicos do Tatuapé, que homenageará o MST no sambódromo no próximo sábado, recebeu 250 000 reais do governo Lula, por meio principalmente de um convênio firmado com o Ministério da Justiça ainda na gestão de Ricardo Lewandowski, que tem relações conhecidas com os sem terra. Foi a primeira vez em mais de setenta anos de existência que a agremiação recebeu recursos federais.

    Em onze de agosto do ano passado, o Ministério da Justiça autorizou a liberação de 200 000 reais para a Acadêmicos do Tatuapé como parte de uma iniciativa de “Apoio a Projetos de Defesa Nacional”, financiado com recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, que é alimentado com dinheiro de quem provocou danos ao patrimônio público, a exemplo das multas aplicadas aos vândalos do 8 de Janeiro. A parceria entre a pasta e a escola foi formalizada apenas dois dias depois do lançamento do samba-enredo para homenagear o MST.

    Os 50 000 restantes transferidos à Acadêmicos do Tatuapé saíram dos cofres da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura. O MST é um parceiro histórico do PT e alvo de críticas da oposição devido às invasões de propriedade privada. Levantamento da Confederação Nacional da Agricultura mostrou em maio do ano passado que no terceiro mandato de Lula os sem terra tinham invadido 171 fazendas, ultrapassando a soma dos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, um total de 62 propriedades rurais.

    No Rio de Janeiro, a esquerda também atravessará a avenida. Reportagem de capa da última edição de VEJA trouxe detalhes da homenagem que a Acadêmicos de Niterói fará a Lula neste carnaval, o que gerou representações na Justiça Eleitoral e no Tribunal de Contas da União contra o desfile, impetradas por políticos de oposição. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, decidiu desfilar em um dos carros alegóricos. Já o presidente deve ver o desfile em um camarote especial na Marquês de Sapucaí.

    Dinheiro da União financia cursos de passistas, aderecistas e bateria

    O presidente do Grêmio Recreativo Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo dos Santos, diz que o dinheiro do Ministério da Justiça é destinado para cursos da agremiação: “Temos atividades voltadas para formação do elenco, escolas de bateria, escolas de passistas, formação de aderecistas, isso ocorre ao longo de todo o ano”. Segundo Eduardo, a escola utiliza para o desfile uma cota destinada a todas as agremiações, repassada pela prefeitura de São Paulo, de cerca de 2 milhões de reais cada. Ele não soube explicar por que o governo libertou dinheiro da rubrica Defesa Nacional.

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    O governo informa no Portal da Transparência que o dinheiro da Defesa Nacional se destina ao fortalecimento de manifestações culturais e atividades educativas e de capacitação que promovam a “reparação de danos e a promoção de direitos das populações e territórios com altos índices de violência e vulnerabilidade social”.

    CPI do MST queria convocar Lewandowski para explicar relação com o MST

    Ricardo Lewandowski já teve problemas no Congresso por sua relação com o MST. Em 2023, a CPI do MST tentou convocá-lo para prestar depoimento sobre a visita ao evento do movimento na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, São Paulo, que foi construída pelos sem terra e recebeu dinheiro estatal. “Visitando a Escola do MST, percebi do que é capaz o povo organizado. A escola é um exemplo disso”, afirmou Lewandowski, discursando ao lado do líder do movimento, João Pedro Stédile.

    O samba-enredo da Acadêmicos de Tatuapé este ano é Planta para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra, um retrospecto que vai desde a criação do planeta, passa pelos “invasores do além-mar”, as batalhas de Canudos e Contestado e a concentração da propriedade no país. “A proposta nasce de uma construção coletiva entre a Escola de samba e o MST, com o objetivo de ampliar o alcance da luta pela reforma agrária popular, transformando a avenida em um palco de resistência, cultura e denúncia da concentração de terras no Brasil”, diz o MST em seu site. VEJA enviou questionamentos ao Ministério da Justiça, mas ainda não recebeu retorno.

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