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Empoderamento de Janja alimenta intrigas sobre sucessão de Lula

Petistas dizem que a primeira-dama tem interesses eleitorais, mas outros já atribuem o protagonismo da primeira-dama à tática do presidente

Por Ricardo Chapola 8 out 2023, 09h49
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Além de ciúme entre petistas, o protagonismo e a desenvoltura da primeira-dama Rosângela da Silva nos nove primeiros meses de governo Lula vem alimentando boatos e intrigas  em relação a eventuais pretensões eleitorais. Há quem acredite que o presidente está testando o nome da esposa para sua sucessão.  Mas há também quem sustente que o movimento se trata de uma estratégia simplesmente para enfraquecer adversários internos.

Desde o início do terceiro mandato do petista, Janja tem participado de praticamente todas as viagens internacionais do marido — ao todo, já visitou dezessete países ao lado do presidente. No exterior, seu comportamento, muitas vezes espontâneo e distante da liturgia e dos protocolos oficiais, chama a atenção.

Janja também possui um gabinete próprio, no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde despacha e se reúne com autoridades. Integrantes do governo muitas vezes se referem à primeira-dama como uma espécie de ministra sem cargo. Ela também possui uma equipe própria de assessores e de seguranças à disposição. Recentemente, foi escalada por Lula para visitar as cidades atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Em situações como essa, é praxe o governante visitar o local, ou pedir para algum ministro representá-lo.

O crescimento da influência de Janja no governo fez com que muitos se sintam desprestigiados com o presidente. Além disso, ajuda a incentivar os comentários de que o empoderamento da primeira-dama tenha motivações eleitorais. Apesar disso, os interlocutores mais antigos do PT afirmam que Lula tem estimulado isso propositalmente. Ao deixar prosperar boatos de que Janja está sendo testada como alternativa à sua sucessão, o presidente impediria que ministros com ambições eleitorais maiores tentem lhe fazer sombra nos próximos três anos.

“Lula sabe que há potenciais candidatos no governo, sabe também que fragiliza essas pessoas ao dar espaço a Janja”, disse um petista com acesso ao Planalto. Os aliados dão como certo que Lula pretende disputar a reeleição, apesar da idade avançada. Em 2026, ele terá 80 anos.

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