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Embaixador venezuelano envia análise antichavista a políticos brasileiros

Nomeado por Maduro, Manuel Vadell participou de ato em Brasília contra a ação militar dos EUA, mas distribuiu texto contrário ao regime

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jan 2026, 15h05 • Atualizado em 6 jan 2026, 15h11
  • Nomeado por Nicolás Maduro em dezembro de 2022, o embaixador venezuelano no Brasil, Manuel Vadell, participou no último sábado, 3, horas depois da captura do ditador e de sua esposa, de uma manifestação em frente à sede da representação diplomática em Brasília, junto a movimentos políticos e estudantis de esquerda e contra a ação militar dos Estados Unidos.

    Também naquele dia, a embaixada chefiada por Vadell emitiu uma nota afirmando que os “ataques perversos” ordenados por Donald Trump “não são apenas contra a paz de um país, mas também contra o controle e a gestão soberana de nossos recursos naturais, a autodeterminação, o respeito ao direito internacional e a estabilidade do continente”.

    Em conversas reservadas, contudo, o embaixador tem enviado uma análise para lá de antichavista a políticos brasileiros que lhe perguntam sobre a operação militar que terminou com Maduro preso e com a então vice-presidente Delcy Rodriguez empossada como chefe em exercício do governo venezuelano.

    “O poder real está, todavia, nas mãos do chavismo armado, não da oposição civil. E as transições duras se negociam com quem pode apagar ou reacender o incêndio, não com quem tem razão moral”, inicia uma análise compartilhada por Vadell em mensagens de WhatsApp.

    Um outro trecho enumera as razões dos Estados Unidos para, neste momento, ter apoiado a chegada de Delcy Rodriguez à  Presidência da Venezuela: “continuidade administrativa”, traduzida no funcionamento dos ministérios, da estatal de petróleo PDVSA, dos bancos e dos portos; seu “canal direto com o poder duro”, ramificado em militares, aparato de inteligência e os “colectivos” (grupos paramilitares de apoio ao regime chavista); e sua “capacidade de entregar algo”, que seriam “informação, desmobilização, assinaturas e ordens”.

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    Depois de uma fase de “controle do caos”, continua a análise repassada pelo embaixador, viriam as etapas de “reacomodação do poder”, em que se integram à máquina pública civis, técnicos e “agentes aceitáveis”, como Edmundo González, o candidato que Maduro alegou ter derrotado na amplamente contestada eleição de 2024, e de “legitimação”, com eleições e a participação da líder oposicionista Maria Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz.

    O portal argentino de notícias Canal 26 publicou um texto praticamente idêntico ao que Vadell tem enviado aos seus contatos políticos no Brasil . O autor é o jornalista venezuelano David Placer, que escreveu  livros como  “O ditador e seus demônios: a seita de Nicolás Maduro” e “Os feiticeiros de Chávez”. Ele é radicado em Madri, na Espanha.

    O texto vem sendo reproduzido por usuários do X, do Facebook e do Instagram. No WhatsApp, recebeu o marcador de mensagem encaminhada com frequência.

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    “O erro emocional do venezuelano é crer que ‘se caiu Maduro, agora mandam os bons’. Não. Primeiro mandam os que podem evitar que o país se queime. Depois, os que podem governar. E, ao final, os que podem representar. Atenção: isso NÃO significa que María Corina está ‘fora’”, aponta outro trecho da análise.

    O texto difundido pelo embaixador da Venezuela é inegavelmente simpático à derrubada do regime chavista. E indica que, assim como já demonstrou a presidente em exercício do país vizinho em carta aberta a Trump propondo “cooperação” com Washington, a calibragem da narrativa de remanescentes do governo sobre a deposição de Maduro pode se tornar uma constante nos próximos capítulos da crise.

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