‘Ele acessou, mas não avançou’, diz presidente da Unafisco sobre dados de ministros do STF
Kléber Cabral confirma que servidor buscou nome de parente de magistrado do STF, mas afirma que não houve vazamento
O presidente da Unafisco Nacional, Kléber Cabral, confirmou que um auditor da Receita Federal buscou o nome de um parente de ministro do Supremo Tribunal Federal, mas não teve acesso aos dados fiscais. Segundo ele, o sistema de controle interno impediu o avanço da consulta.
“O que nós tivemos de informação é que ele de fato fez um acesso, mas não avançou. Não houve quebra de sigilo de nenhum dado econômico-financeiro”, afirmou em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA.
Quatro servidores públicos foram alvos de uma operação da Polícia Federal suspeitos de terem acessado dados sigilosos de ministros do STF e seus parentes. Eles terão que usar tornozeleira eletrônica, tiveram seus passaportes cancelados e perderam seus cargos públicos.
Kabral explicou que o auditor teria se deparado com um “homônimo” ao tentar verificar a identidade de uma pessoa conhecida. Ao inserir o nome no sistema, surgiu o alerta de pessoa politicamente exposta — mecanismo que exige justificativa formal para prosseguir. “Quando apareceu o aviso, ele não avançou”, disse.
Para o presidente da entidade, o caso acabou sendo incluído em uma investigação mais ampla determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das fake news. Moraes solicitou à Receita levantamento de acessos envolvendo mais de cem nomes ligados a ministros da Corte.
Kabral classificou a medida como desproporcional. “Se o objetivo fosse apurar um vazamento específico, bastava perguntar objetivamente sobre aquele dado. Em dez minutos se saberia se houve acesso”, afirmou. Segundo ele, ao ampliar a busca para parentes até o terceiro grau e um período de três anos, a apuração criou “falsos positivos”. “O auditor caiu de gaiato nesse navio. Ele não vazou informação nenhuma. O máximo que caberia, pelo manual, seria uma advertência administrativa”, disse.
O dirigente também criticou as medidas cautelares impostas aos servidores investigados. “Adiantou-se o resultado final de um processo penal antes mesmo do processo começar”, afirmou, classificando o episódio como “um dos maiores casos de desproporcionalidade da história recente do Judiciário”.
Para Kabral, a Receita possui “controles muito rígidos” sobre acessos a dados fiscais e não há comprovação de que informações tenham sido vazadas no caso citado. “Se alguém acessou, vazou ou vendeu dados, que seja responsabilizado. Mas dentro do devido processo legal”, declarou.





