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Diretor lamenta delatar governadores do PR e SC: ‘Coitadinhos’

Ricardo Saud fala em dinheiro para Beto Richa e Raimundo Colombo e revela intenção de preservar 'amigos' na delação, como compradores de produtos da JBS

Por Edoardo Ghirotto e Guilherme Venaglia - Atualizado em 5 set 2017, 17h00 - Publicado em 5 set 2017, 15h32

ex-diretor de Relações Institucionais do grupo JBSRicardo Saud, admitiu, em áudio obtido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que tinha o interesse de preservar “amigos” no acordo de colaboração premiada que viria a ser firmado com o Ministério Público Federal. Em contrapartida, ele lamenta a Joesley Batista, um dos donos da empresa, que teria de delatar governadores que supostamente receberam propina, entre eles Beto Richa (PSDB), do Paraná, e Raimundo Colombo (PSD), de Santa Catarina.

Os amigos citados por Saud seriam donos de redes de supermercados e compradores de produtos da JBS. Também são mencionados os nomes de Andrea e Durval, que não puderam ser identificados.

Em seguida, Saud diz que entregou dinheiro pessoalmente para Richa e Colombo. Também é mencionado como receptador o ex-secretário da Fazenda de Santa Catarina Antonio Gavazzoni. Ele teria recebido as visitas de Saud e do contabilista Florisvaldo Caetano de Oliveira, que foi conselheiro fiscal da JBS entre 2007 e 2016.

“Tudo que não precisar tocar no tipo de assunto. A gente preserva todos os nossos, como chama? Consumidores, nosso mercado, nós preservamos todos os supermercados, compradores. Todos os nossos compradores. A gente salva uns quatro ou cinco amigos. Andrea, Durval… Porque de outro jeito não tem jeito de contar a história sem os caras. Eu acho que pelos mais fortes… (ininteligível) A questão é ter que jogar esses amigos tudo no fogo. Os governadores, coitadinhos… Beto Richa… Pegou tudo em dinheiro no (ininteligível)… Fui eu e aquele (ininteligível) entregar para o Beto… Beto Richa… Colombo…”, disse Saud.

O executivo declara que foi entregar dinheiro para um intermediário de Colombo. Joesley, então, menciona o nome de Gavazzoni. “Gavazzoni. (ininteligível) Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três”, diz Saud.

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Delatados

Em sua colaboração, Saud afirmou à PGR que repassou 1 milhão de reais em espécie para um irmão de Beto Richa. A quantia, segundo o delator, foi entregue para o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, José Richa Filho, e seria utilizada na campanha de reeleição do governador, em 2014.

Saud também delatou Colombo e Gavazoni. O executivo afirmou que pagou 10 milhões de reais, em propina, para a campanha do governador de Santa Catarina, em 2014. Ele declarou que Gavazoni participou das tratativas que envolviam o pagamento de dinheiro ilícito.

Defesa

O Diretório Estadual do PSDB no Paraná emitiu nota na qual diz que o governador Beto Richa “jamais fez captação de recursos para campanhas eleitorais”. “Para este fim, a cada eleição, é instituído um comitê financeiro, formado por dirigentes do partido. Assim se deu na campanha eleitoral de 2014”, afirma.

O partido reitera que recebeu duas doações oficiais do grupo JBS, nos valores de um milhão de reais e 1.000 reais, respectivamente, e que elas foram declaradas na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral em conformidade com a legislação. “O PSDB-PR lamenta que declarações infundadas, com nítido enfoque de articular uma grave armação contra as instituições nacionais, atinjam pessoas que nada tem a ver com os fatos pretendidos”, diz o partido na nota. “Na conversa mencionada há uma clara intenção dos envolvidos em escolher terceiros para transferir as suas responsabilidades.”

O ex-secretário Antonio Gavazzoni foi procurado por meio de seu escritório de advocacia, mas não foi encontrado para comentar as acusações.

Segundo a assessoria do governador Raimundo Colombo, a JBS fez uma doação devidamente registrada no TRE-SC, no valor de oito milhões de reais, para o PSD de Santa Catarina. O repasse foi intermediado pelo PSD nacional.

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