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Dilma defende “vida longa” à aliança com o PMDB

Na convenção nacional do partido, presidente ataca críticas ao 'pibinho', agradece aos aliados pela "parceria sólida" mas não fala na manutenção de Temer como vice em 2014

Por Marcela Mattos 2 mar 2013, 13h30

No discurso mais longo da Convenção Nacional do PMDB, a presidente Dilma Rousseff afirmou, neste sábado, que a aliança com o PMDB terá “uma vida longa”. Durante os 45 minutos de sua fala, Dilma não poupou elogios ao vice-presidente Michel Temer e às mudanças no Brasil decorrentes da união. Um dia após a divulgação do fraco desempenho da economia em 2012, período em que o PIB cresceu apenas 0,9%, a presidente finalmente se manifestou sobre o ‘pibinho’. E rebateu as críticas: “Os mercadores do pessimismo vão perder”, disse.

Logo no início de seu pronunciamento, Dilma confirmou a expectativa da manutenção da parceria com o PMDB nas próximas eleições. “É uma honra vir na convenção do partido que é meu maior parceiro. O convite ofereceu uma oportunidade extraordinária para que possamos celebrar essa parceira sólida, produtiva e que sem dúvida terá uma vida longa.”

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Em tom de exaltação, Dilma afirmou que este sábado marca mais um passo na aliança entre as legendas, que, juntas, representam uma das maiores coalizões formadas para governar o Brasil. A presidente afirmou que, ao contrário de manchar a política, a aliança significa diálogo, entendimento e união de esforços. “As coalizões mais amplas, mais bem construídas, costumam trazer maior segurança e estabilidade”, destacou.

Com um discurso em tom pré-eleitoral, Dilma em nenhum momento citou as eleições de 2014. Mesmo assim, não deixou de propagandear seu governo, citando a expansão do Programa Brasil sem Miséria e a reestruturação nos portos, aeroportos e ferrovias. A presidente também traçou metas: saúde pública, educação de qualidade e inclusão prioridade serão prioridade daqui para frente, segundo afirmou.

Em pronunciamento anterior ao de Dilma, Temer optou por um discurso breve. Sobre a parceria nas próximas eleições, o vice-presidente limitou-se a dizer que a aliança PT-PMDB “deu certo” para o país. “Isso significa que nós devemos caminhar em 2014 da mesma forma que caminhamos até agora. Para o bem de todo o mundo e do país”, afirmou. Em seguida, Temer fez um anúncio de interesse interno para o partido: para fortalecer as lideranças dos estados brasileiros, as inserções nacionais serão entregues diretamente aos estados para que realizem as campanhas nacionais.

Temer: “Aliança mais direta, impossível”

Sem citar as eleições, o ex-presidente Lula enviou uma carta à convenção do PMDB, lida pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão. No texto, Lula destacou a importância de Ulysses Guimarães para a consolidação da democracia e o papel do PMDB em pôr fim ao regime autoritário no país.

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Disputa carioca – Os laços firmados neste sábado entre os dois maiores partidos do Brasil podem ser colocados em xeque nas eleições estaduais. A mais de um ano e meio das próximas eleições, as legendas já se movimentam para disputar o governo do Rio de Janeiro, com candidaturas precocemente lançadas pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e pelo vice-governador Luiz Fernando Peãao (PMDB-RJ).

Uma moção aprovada nesta tarde pode intensificar ainda mais a disputa: define candidatura própria a governador em todos os estados do Brasil. “O PMDB terá, com certeza absoluta, candidatura própria no Rio”, afirmou o vice-presidente Valdir Raupp. “Ainda acho possível um entendimento para que a gente sair com um palanque único”, ponderou. Outra moção aprovada impede o palanque duplo, e determina que fica “a executiva nacional com a responsabilidade de articular alianças locais que garantam palanque único, evitando palanque duplo”.

TEMA EM FOCO: As eleições no Rio em 2014

Presente na Convenção Nacional, o atual governador do estado, Sérgio Cabral, exaltou os resultados de seu trabalho. Segundo ele, a parceria entre os partidos, proporcionou o que “parecia impossível”. “O Rio de Janeiro, que era um estado fadado ao fracasso, hoje recebe um grande número de investimentos.” Para encerrar o discurso, Cabral amenizou qualquer possível antecipação de desentendimento e reiterou a aliança para as próximas eleições presidenciais: “Não há outro caminho que não seja o fortalecimento de Dilma e Temer em 2014”.

Economia – Sem comentar diretamente o fraco desempenho da economia em 2012, divulgado nesta sexta, a presidente Dilma Rousseff falou como se a economia avançasse a passos largos. Dilma citou algumas medidas, como o plano de portos e aeroportos e as desonerações na folha de pagamento, para dizer que o Brasil passou por uma fase de maturação que já apresenta bons resultados. “Temos o índice de desemprego mais baixo da economia; a inflação sob controle; a indústria começando a dar claros sinais de retomada”, enumerou a presidente.

Em seguida, partiu para o ataque: “Ninguém pode dizer que o Brasil não tem suas finanças sob controle. Mais uma vez os mercadores do pessimismo vão perder, como perderam quando previram que o racionamento de energia não funcionaria”. Continuou: “Mais uma vez, os que apostam todas as fichas no fracasso do país vão se equivocar.”

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