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Dilemas para Lula na Bahia e no Ceará não se resumem a governadores

Disputa por vagas no Senado prenunciam problemas para a formação de alianças em estados cruciais para o PT no Nordeste

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jan 2026, 10h20 • Atualizado em 1 fev 2026, 11h56
  • Os dilemas para o presidente Lula ao refletir sobre a força de seus palanques na Bahia e no Ceará não se resumem a uma desconfiança com a capacidade de os governadores petistas Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas garantirem a vantagem numérica que ele historicamente tem conquistado em dois dos maiores colégios eleitorais do Nordeste.

    Nas eleições deste ano, além da posição de vice-governador, caciques partidários negociam alianças para preencher duas vagas ao Senado, e não só uma, como no ciclo de quatro anos atrás. O mais usual é que uma chapa majoritária nos estados carregue ao menos três legendas diferentes, tudo em busca de mais capilaridade eleitoral, tempo de propaganda em rádio e televisão e, claro, dinheiro para campanha.

    Na Bahia, contudo, lideranças petistas anunciam uma chapa pura, com Jerônimo e o senador Jaques Wagner saindo em busca da reeleição e o hoje ministro da Casa Civil, Rui Costa, ocupando a segunda vaga ao Senado. A única coloração partidária diferente viria do atual vice-governador Geraldo Júnior, do MDB, que, a preço de hoje, permaneceria na composição.

    A equação deixa de fora o senador Angelo Coronel, do PSD, cujo mandato está prestes a se esgotar. Sob o comando de Otto Alencar no estado, a sigla tem sido aliada do PT e de Lula desde a primeira eleição de Jaques Wagner ao Palácio de Ondina, em 2006. 

    Em entrevista recente, Wagner apresentou como possível solução a acomodação de Coronel como primeiro suplente de um dos dois candidatos petistas, já contando que um deles seria nomeado ministro em um eventual segundo mandato de Lula na Presidência da República e abriria espaço para o aliado do PSD assumir a titularidade no Senado.

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    Pela quantidade de condicionantes que precisariam se concretizar, a proposta dificilmente será bem recebida por Coronel e Alencar. A dupla haverá de lembrar a Jerônimo, Wagner e Rui Costa que o PSD elegeu, em 2024, os prefeitos de 115 dos 417 municípios da Bahia — palanques locais vistos como essenciais no somatório do tabuleiro político nacional.

    No Ceará, para além de Elmano de Freitas aparecer bem atrás do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto, também há três nomes disputando duas vagas ao Senado na chapa majoritária.

    Tratam-se de três deputados federais: o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB), o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT), e Junior Mano (PSB), apadrinhado pelo senador Cid Gomes (PSB).

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    Se a candidatura de Eunício for confirmada, é praticamente certo que o MDB seria forçado a abrir mão da vice na chapa das eleições deste ano, já que a atual detentora do posto, Jade Romero, também integra os quadros do partido.

    Em qualquer cenário, Lula precisará calcular se seu palanque cearense ficará mais forte ocupando duas das quatro vagas com petistas ou contemplando eventualmente uma quarta legenda na composição.

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