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Crescimento de Flávio nas pesquisas e rejeição a Lula acendem alerta no Planalto

Novos números deixam claro para o governo que a disputa deste ano será bem mais difícil do que se imaginava

Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 fev 2026, 08h00 •
  • Na tarde de quarta-feira, 25, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu um grande número de parlamentares de direita em Brasília, discursou, se emocionou e pediu união do espectro político em torno de sua candidatura à Presidência. Sentado entre o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto, e o principal puxador de votos da direita entre os seus apoiadores no Congresso, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o senador anunciou que apresentaria uma proposta de emenda à Constituição propondo o fim da reelei­ção para presidente (o que de fato fez), com o objetivo de mostrar que o seu projeto não era pessoal, mas de um grupo político focado em derrotar Luiz Inácio Lula da Silva. “A minha candidatura é um projeto de país. É a consciência de que o Brasil não aguenta mais quatro anos de PT”, disse. O encontro foi embalado por uma notícia que animou a oposição. Horas antes, uma nova pesquisa Atlas­Intel/Bloomberg mostrou que Flávio voltou a crescer em intenção de votos e se consolidou como o nome mais viável para vencer Lula. Na sexta-­feira 27, outro levantamento, do Paraná Pesquisas, mostrou o senador do PL empatado tecnicamente com Lula no primeiro e no segundo turnos. As pesquisas expuseram que o petista enfrenta mais dificuldades do que se imaginava para fazer decolar sua candidatura e conquistar o seu quarto mandato nas urnas em outubro.

    EM ALTA - O senador: intenção de votos cresce desde que anunciou candidatura
    EM ALTA - O senador: intenção de votos cresce desde que anunciou candidatura (Gabriela Biló/Folhapress/.)

    O fortalecimento da candidatura de Flávio é evidente. Em novembro passado, ele tinha 23,1% das intenções de voto, contra mais de 47% de Lula. No mês seguinte, ao anunciar que havia sido escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para ser o seu herdeiro político, ele saltou para 29,3% e não parou mais de crescer: foi a 35% em janeiro e chegou a quase 40% em fevereiro. No segundo turno, a desvantagem para Lula, que era de 12 pontos em dezembro, virou pó: ele agora aparece numericamente à frente do petista (veja o quadro).

    A consolidação do Zero Um como o rival a ser batido por Lula tem mais de uma explicação. A primeira é a extraordinária transferência de votos de Jair Bolsonaro ao filho primogênito em dois meses. “Foi um movimento muito forte e muito rápido”, diz Breno Oliveira, analista político do instituto Atlas­Intel. Outro motivo é a piora da situação de Lula, que vem oscilando para baixo, tanto em intenção de votos quanto na aprovação ao seu governo. A taxa dos que consideram ótimo ou bom a sua gestão recuou mais de 4 pontos desde janeiro. “A pesquisa mostra uma perda de competitividade do presidente”, diz Oliveira.

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    O resultado disparou todos os alertas no Palácio do Planalto. O entorno de Lula — e o próprio presidente — sempre acreditou que Flávio seria o adversário mais fácil a ser batido pelo petista. As últimas pesquisas, no entanto, mostram que não só o senador é uma ameaça, como expuseram a dificuldade que Lula tem com setores do eleitorado. Um dos motivos que levaram à queda de popularidade, segundo a Atlas­Intel, foi o polêmico desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, que irritou os conservadores e virou arma para a oposição (leia a reportagem na pág. 26). Também pesa contra o governo o fato de o seu amplo pacote de bondades — que vai de programas tradicionais como Bolsa Família a novidades com a isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 000 reais mensais — não ter até agora surtido efeito algum. Para Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV, a medida ainda pode produzir efeito, mas outros fatores devem pesar mais numa eleição polarizada, como a identificação ideológica do eleitor. “É muito provável que a agenda de costumes tenha mais importância do que o desconto no imposto de renda”, diz.

    APOIO - Michelle: seu engajamento é aposta para impulsionar a oposição
    APOIO - Michelle: seu engajamento é aposta para impulsionar a oposição (Evaristo Sa/AFP)

    Outro motivo importante para a mudança de cenário é que ficou mais claro para o eleitor quem será o adver­sá­rio de Lula. “Até novembro, Lula estava sozinho na campanha eleitoral. Agora, ele tem um candidato que está se organizando, fazendo propaganda, está se articulando, aparecendo na mídia, apresentando propostas”, diz Grin. “O crescimento de Flávio é oriundo da percepção por parte do eleitor de direita de que já há um candidato estabelecido no campo”, concorda Mayra Goulart, cientista política e professora da UFRJ. Uma das consequências da identificação do eleitor mais conservador e antipetista com o nome de Flávio é o esvaziamento das pretensões de partidos e presidenciáveis mais à direita de ocupar um espaço relevante no páreo presidencial. Os três pré-candidatos do PSD não atingem 5 pontos percentuais no primeiro turno: Ronaldo Caiado tem 4,9%; Ratinho Junior tem 3,8%; e Eduardo Leite chega a 1,6%.

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    DIREITA UNIDA - Nikolas: apesar de rusgas com Eduardo, é considerado um grande cabo eleitoral da oposição
    DIREITA UNIDA - Nikolas: apesar de rusgas com Eduardo, é considerado um grande cabo eleitoral da oposição (Ton Molina/Fotoarena/.)

    A mesma polarização ideológica que divide o Brasil ao meio também mostra que o embate tende a ser duro como em 2022, quando Lula bateu Jair Bolsonaro por 1,8 ponto percentual. Tanto o bolsonarismo como o petismo, no entanto, têm vantagens e desvantagens. “São candidatos com piso muito alto e tetos baixos por terem consolidado taxas de rejeição muito altas”, explica Breno Oliveira, da AtlasIntel. De fato, os dois lideram o ranking de rejeições — Lula, com 48,2%, e Flávio, com 46,4% (2 pontos percentuais a mais que o seu pai). Outros candidatos têm rejeições muito menores, como Ratinho Junior (35,7%) e Ronaldo Caiado (36,6%). Como ocorreu em 2022, no entanto, a polarização deve dificultar uma mudança abrupta de cenário. Apenas 7% dos eleitores disseram que se preocupam igualmente com a reeleição de Lula e a vitória de Flávio. “A elei­ção está polarizada, com pouca margem para terceira via ou mudança de votos”, avalia Goulart. A tese convence cada vez mais partidos do Centrão, como PP, Republicanos e União Brasil, que ainda não se posicionaram na corrida presidencial, mas estão mais próximos da direita. “Não consigo ver um candidato da terceira via transpor o desafio de ir ao segundo turno. A eleição será de quem errar menos, quem conseguir fazer campanha leve. O Flávio não vai olhar para trás, ele quer unir o país”, avalia Antonio Rueda, cacique do União Brasil.

    PROJEÇÃO - Valdemar e Rueda: para caciques, disputa será entre Lula e Flávio
    PROJEÇÃO - Valdemar e Rueda: para caciques, disputa será entre Lula e Flávio (Bruno Ribeiro/Folhapress/.)
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    Os dois lados têm estratégias diferentes diante do cenário. O Zero Um quer aparar arestas na direita, especialmente aquelas envolvendo cabos eleitorais valiosos como Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, acusados por Eduardo Bolsonaro de não se engajarem efetivamente na campanha do irmão. Apesar da discrição de Michelle, no entanto, tanto Flávio quanto o PL acreditam que ela vai entrar na campanha e que isso será decisivo para a direita, especialmente entre as mulheres e os evangélicos. Valdemar também busca ampliar a base de apoio partidário. Durante a semana, elogiou repetidas vezes o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), como alternativas relevantes para serem vice de Flávio. “São nomes bons, ótimos. Mas quem vai decidir é o Flávio. E o Bolsonaro. Quem manda é o Jair”, disse.

    instagram.com/ratinho_junior/
    DESAFIO - Leite, Ratinho Junior, Caiado e Zema: pouco espaço fora da polarização (Instagram/Reprodução)

    Do lado do governo, as opções são limitadas. Com quase toda a esquerda já unida em torno do seu nome, Lula tem dificuldades para atrair os partidos mais ao centro. Aposta em divisões regionais no PSD, PP, Republicanos e União e tenta atrair formalmente o MDB para a sua chapa, inclusive oferecendo a vaga de vice. Será uma tarefa difícil. Em outra frente, vai dobrar a aposta no seu pacote de bondades, como a priorização no Congresso do fim da escala de trabalho 6×1, uma medida popular que pode, no entanto, ter impacto econômico negativo (leia a reportagem na pág. 48). Também há críticas recorrentes entre os aliados sobre a estratégia que consideram equivocada do governo para vender as suas conquistas para o eleitorado, uma correção de rota que muitos acreditam ser possível até a eleição. O fato é que, faltando pouco mais de sete meses para a votação, o clima indisfarçável de festa que reinava entre os governistas quando houve a aclamação de Flávio começa a dar lugar a sinais de preocupação. A batalha pelo quarto mandato será dura e, como se vê, está longe de ser vencida.

    Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984

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