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CPMI do Master: entenda motivo da ausência de assinaturas de bolsonaristas em requerimento de abertura

Recusa dos parlamentares Altineu Cortes e Bruno Bonetti em avalizar criação da Comissão não gerou mal-estar no PL

Por Gabriel Sabóia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 fev 2026, 08h30 • Atualizado em 4 fev 2026, 09h55
  • A ausência dos nomes de dois bolsonaristas de primeira-hora no requerimento para abertura da CPMI que investigará as fraudes que envolvem o Banco Master chamou a atenção de parte da oposição do Congresso, nesta terça-feira. Os dois vêm do Rio de Janeiro e são considerados do núcleo mais próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro: o deputado Altineu Côrtes e o senador Bruno Bonetti, que atua como suplente de Romário, desde o ano passado, na Casa Alta.

    A ausência deles entre os signatários do requerimento, entretanto, não teria gerado mal-estar no PL e se justificaria por uma estratégia política. De olho em uma segunda vaga que deve ser aberta para o Tribunal de Contas da União (TCU), ainda neste ano, Altineu não se comprometeu com o requerimento que pode fazer avançar investigações sobre caciques políticos aliados e ministros do STF. Aos correligionários, ele teria justificado que pode precisar de votos dos colegas ainda neste ano, caso se confirme a indicação para o Tribunal.

    Já Bonetti, que ocupa temporariamente a suplência do mandato de Romário, não assinou o requerimento devido a um acordo que o mantém no posto, ainda que de forma momentânea. Como o ex-jogador não faz parte do esquadrão bolsonarista que enfrenta os ministro do Supremo, o suplente manteve o compromisso de não se afastar de algumas pautas caras ao Baixinho. Desta forma, ele não corre o risco de ser retirado do mandato, por decisão de Romário. Alinhado aos interesses bolsonaristas, Bonetti é tido como voto certo pela derrubada dos vetos do presidente Lula ao PL da Anistia, em sessão do Congresso que deve ocorrer depois do Carnaval. Por isso, a ausência de assinatura também foi entendida pelos pares.

    Elaborado pelo deputado Carlos Jordy, o dispositivo para a CPI do Master contou com o apoio de 238 deputados e 42 senadores, muito além do apoio mínimo necessário nas duas casas. Nos bastidores, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem evitado sinalizar se dará andamento à iniciativa.

    Fontes próximas ao amapaense acreditam que ele está alinhado ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que resiste à criação de um colegiado desta natureza. Um dos motivos seria o uso da CPMI para ataques a ministros do Supremo.

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