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Corrida pelo Centrão: as vagas-chave na disputa eleitoral entre Paes e o PL de Castro

Número sem precedente de vagas é negociado pelo prefeito do Rio e pelo partido do governador para atrair legendas do Centrão na disputa ao Palácio Guanabara

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 fev 2026, 14h00 •
  • O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), disputa com o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador Cláudio Castro, o apoio do Centrão na corrida ao governo estadual. Partidos como União Brasil, PP, MDB e Republicanos serão fundamentais para conquistar aliados fora da capital – dois terços do eleitorado estão distribuídos na região metropolitana e no interior do estado. O apoio das legendas tende a ser decisivo em outubro.

    A principal moeda de troca nas negociações são cargos. Além das vagas tratadas que já estavam no horizonte eleitoral – governador, vice e as duas cadeiras para o Senado -, e de espaço na futura administração, reviravoltas na Justiça colocaram no radar dos partidos três cadeiras no TCE, o comando da Assembleia Legislativa e um mandato-tampão no governo.

    As suplências para o Senado também são objeto de cobiça. Ao contrário das Assembleias Legislativas e da Câmara dos Deputados, em que os substitutos são chamados por ordem de votação, no Senado a suplência é definida previamente pelos partidos. A vaga é do titular da chapa, mas os suplentes assumem em caso de afastamento.

    O caminho que levou a eleição do Rio a um patamar tão expressivo, em termos de cargos e poder, é tortuoso. Envolve prisões e suspeitas de corrupção em um estado que amarga um longo histórico de governadores presos no exercício do mandato.

    O escândalo que mais mexeu com o tabuleiro político fluminense em 2026 atinge o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa. Em dezembro, Bacellar foi preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de vazar informações de uma operação da Polícia Federal contra o também deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, que teria ligações com o Comando Vermelho. Bacellar era o principal cotado para liderar uma chapa da direita ao governo do Rio. A prisão – depois convertida em domiciliar com tornozeleira eletrônica – interditou as pretensões eleitorais do deputado. 

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    A saída de cena de Bacellar não afetou apenas a corrida ao Palácio Guanabara, inaugurou também uma nova disputa, pelo mandato-tampão que será aberto com a saída de Cláudio Castro, que pretende se desincompatibilizar do cargo até abril para tentar uma vaga no Senado. O Rio está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha deixou as funções para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Bacellar era o próximo na linha sucessória para assumir temporariamente o governo até o final do ano. Agora, a Assembleia Legislativa terá que definir quem será o governador interino. 

    A prisão do cacique do União Brasil também embaralhou a sucessão na Assembleia Legislativa. Bacellar foi reeleito presidente da Alerj em 2025, por unanimidade, e tinha capital político para tentar emplacar um aliado no cargo em 2027.

    Os partidos também estão de olho nas vagas no TCE. Ao todo, três cadeiras no tribunal devem ser abertas no próximo mandato. As nomeações são atribuição do governador. Três conselheiros enfrentam processos na Justiça. José Gomes Graciosa e Marco Antônio Barbosa de Alencar respondem a ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Eles chegaram a ser presos em 2017, na Operação Quinto do Ouro, e estão afastados desde então. As ações penais estão em fase final de tramitação. Se forem condenados, Graciosa e Alencar perdem os cargos. De toda forma, eles completam 75 anos, idade limite para a aposentadoria, em 2029 e 2020, respectivamente, ou seja, dentro do mandato que começa em 2026. Outro conselheiro que deve perder o cargo em decorrência de uma condenação criminal é Domingos Brazão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), em 2018. O processo está pautado para fevereiro no STF

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