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Corrida pela hegemonia no Senado começa com vantagem para PL e Centrão

Faltando dez meses para a disputa, a primeira fotografia indica uma largada pela direita — mas a maratona é longa

Por Anna Satie Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 dez 2025, 08h00 •
  • Na quarta-feira 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu seus 38 ministros no Palácio do Planalto para tratar do assunto que mais mobiliza hoje o governo: as eleições. Com quase metade da Esplanada prestes a deixar os postos para tentar mandatos eletivos, o petista lembrou aos pré-­candidatos que eles precisam decidir de que lado estarão — parte é filiada a siglas do Centrão, que flertam com a oposição —, escolher em quais contendas entrarão e, mais importante, sair delas vencedores. “Aqueles que tiverem que se afastar, se afastem. E, por favor, ganhem o cargo que vão disputar. Não percam”, reforçou. O recado não é trivial: a grande maioria dos ministros, incluindo soldados de elite como Rui Costa, Gleisi Hoffmann e talvez Fernando Haddad, irá para um front estratégico: a batalha pelo Senado, que direita e esquerda anunciam há tempos como uma guerra central em outubro de 2026, quando dois terços das cadeiras (54) estarão em jogo.

    A preocupação do presidente não é sem motivo. Uma rodada de pesquisas feitas pelo instituto Real Time Big Data em todos os estados, entre novembro e dezembro, mostra que a direita saiu na frente nesse duelo. Considerando o principal cenário testado pelo instituto e os dois nomes que lideram numericamente a corrida (serão duas vagas por unidade da federação), o PL é o partido que levaria o maior número de cadeiras se a disputa fosse hoje: onze. Também aparecem com destaque siglas do Centrão, como o União Brasil (possui um senador que precisa renovar o mandato, mas está no páreo para levar seis cadeiras), o Republicanos (também precisa renovar uma vaga, mas poderia eleger quatro) e o PP (que terá quatro postos em disputa, mas tem chances de sair das urnas com seis). Por outro lado, MDB e PSD, que são as principais bancadas da Casa e têm maioria alinhada a Lula, correm o risco de perder parlamentares (veja o quadro).

    CORRIDA - Michelle e Derrite: ex-primeira-dama e ex-secretário largam bem nas pesquisas recentes
    CORRIDA - Michelle e Derrite: ex-primeira-dama e ex-secretário largam bem nas pesquisas recentes (Marina Uezima/Brazil Photo/AFP; Danilo Verpa/Folhapress/.)

    A eleição tem relevância pela real possibilidade de um dos lados do espectro político conseguir maioria em um momento de radicalização ideológica. A Casa tem atribuições exclusivas, como apreciar indicações de ministros de tribunais superiores e, principalmente, dar sequência ao impeachment de membros do Supremo. Boa parte da direita, inclusive o ex-­presidente Jair Bolsonaro, não esconde a pretensão de punir desafetos, como Alexandre de Moraes, relator do processo por tentativa de golpe de Estado. Há poucas semanas, Gilmar Mendes chegou a determinar que impeachment de magistrado do STF só poderia ser pedido pelo procurador-­geral da República. A iniciativa do decano, suspensa depois, foi lida como tentativa de autoproteção da Corte no momento em que a deposição de ministros virou bandeira eleitoral.

    Apesar de a balança pender hoje para a direita, o cenário está longe de ser definitivo. Para o diretor do Real Time Big Data, Lucas Thut Sahd, as pesquisas mostram conhecimento do nome, motivo pelo qual governadores aparecem bem, como Helder Barbalho (Pará), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro). O mesmo raciocínio se aplica a ministros, com Haddad (São Paulo), Alexandre Silveira (Minas Gerais) e Silvio Costa Filho (Pernambuco). Também saem em vantagem nomes conhecidos pelos papéis que desempenharam recentemente, como a ex-­primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ex-secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite, bem posicionados no Distrito Federal e São Paulo, respectivamente. “As pessoas sabem bem em quem votarão para presidente e governador. Já para o Legislativo, elas acabam decidindo na fila no dia da votação”, diz Sahd. Outro ponto lembrado por especialistas é o fato de a eleição ao Senado ser diferente da disputa para a Câmara, onde é mais fácil eleger um candidato de nicho. “Ela envolve os estados como um todo, com populações bastante heterogêneas, e os candidatos precisam acenar e dialogar com vários setores da sociedade”, avalia Paulo Ramirez, professor da ESPM.

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    arte eleições Senado

    Espaço afeito à moderação, até por reunir políticos mais experientes, o Senado tem visto seu perfil mudar, ainda que lentamente. Em 2022, quando só 27 vagas estavam em disputa, o bolsonarismo emplacou seis ex-ministros (Damares Alves, Sergio Moro, Rogério Marinho, Marcos Pontes, Jorge Seif e Tereza Cristina), além do ex-vice Hamilton Mourão. Agora, os papéis de Lula e de Bolsonaro também tendem a ser decisivos. “Todo mundo está de olho nessa eleição. Certamente, o Senado terá um protagonismo ainda maior”, resume o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB). Faltando dez meses para a disputa, a primeira fotografia da corrida pela hegemonia indica uma largada pela direita — mas a maratona é longa e a imagem do pódio pode ser diferente ao final.

    Publicado em VEJA de 19 de dezembro de 2025, edição nº 2975

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