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Como Piauí se tornou uma das poucas gestões petistas com bons resultados em área sensível para Lula

As mudanças mais perceptíveis ocorreram no enfrentamento de duas chagas: os atentados contra a vida e os crimes patrimoniais

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 fev 2026, 08h00 •
  • O ano de 2022 não foi fácil para o Piauí. Além de amargar o 24º lugar entre 27 estados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), cravou um triste recorde de violência, com 732 casos de homicídios dolosos. Foi em maio daquele ano que a empresária Kariane Lima Veras viu dois homens armados entraram no seu restaurante para roubar — apesar de ninguém ter resistido, ela foi baleada à queima-roupa na cabeça e morreu aos 36 anos. Pela brutalidade da ação, filmada em vídeo, a dupla foi condenada a quase setenta anos de prisão. Passados quase quatro anos do crime que chocou o estado, o jogo parece estar virando no Piauí, que se tornou uma das poucas gestões petistas com resultados positivos na segurança, área sensível para a campanha à reeleição de Lula.

    REFORÇO - Novos policiais: gestão contratou 2 600 homens desde 2022
    REFORÇO - Novos policiais: gestão contratou 2 600 homens desde 2022 (Thiago Amaral e Vitor Melo/PM-PI/.)

    As mudanças mais perceptíveis ocorreram no enfrentamento de duas chagas: os atentados contra a vida e os crimes patrimoniais. Houve queda de 34% em homicídios, quase o dobro do verificado no país. O número de latrocínios, como o que vitimou Kariane, caiu 44%. Tudo isso sem recorrer à brutalização das forças de segurança, já que a letalidade policial diminuiu 26%, em movimento contrário ao do país. Esses bons resultados renderam ao estado um desafio: mostrar que eles podem ser possíveis em uma escala maior. No último dia 2, o advogado e ex-procurador do Estado Chico Lucas, que é filiado ao PT, trocou a pasta que comandava no Piauí havia três anos pelo cargo de secretário nacional de Segurança Pública do governo Lula, um dos principais braços do Ministério da Justiça.

    A pergunta que fica com sua ascensão é: o que o Piauí tem a ensinar ao país nessa área? O combo de iniciativas adotado por Chico Lucas mostra que o feijão com arroz pode ser suficiente. Entre as iniciativas estão coisas defendidas há tempos por especialistas, como investimento em inteligência, unificação de dados das polícias, uso de tecnologia de monitoramento, ampliação do efetivo policial, desestímulo ao lucro com o crime e investimento na solução de casos e punição de culpados. O total de mandados cumpridos pela polícia saltou de 310 para 1 296 entre 2022 e 2025. “Houve profissionalização das forças de segurança”, diz o piauiense Arnaldo Eugênio, doutor em antropologia e especialista em segurança e políticas públicas.

    MISSÃO - Chico Lucas: secretário tem muitos desafios e pouco tempo
    MISSÃO - Chico Lucas: secretário tem muitos desafios e pouco tempo (Gabriel Paulino/SSP-PI/.)
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    Há pelo menos uma iniciativa que já foi “clonada”. O programa Meu Celular de Volta, que permite o registro de aparelhos para localização em caso de roubo ou furto, inspirou o programa federal Celular Seguro, uma iniciativa que já atraiu mais de 4 milhões de brasileiros desde 2024. O furto de celulares no Piauí caiu 53% em três anos, e a polícia devolveu 14 744 aparelhos a seus donos. As mesmas tecnologias permitiram devolver 300 veículos furtados e roubados aos seus proprietários nos últimos dois anos.

    Desafios não faltam ao novo secretário, como ajudar a andar a iniciativa mais conhecida do governo, a PEC da Segurança Pública, parada no Congresso. Ele terá pouco tempo para mostrar algum resultado no enfrentamento daquela que os brasileiros elegeram sua maior preocupação: 27%, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta 11. De imediato, ele defende maior coordenação das ações e foco no crime organizado, no feminicídio e no controle de armas. Outro desafio será o poderio crescente das facções, combatidas no Piauí em duas frentes: a descapitalização e o combate à impunidade, com processamento rápido e eficiente dos inquéritos policiais. “Essas pessoas que exercem poder contra as populações precisam ser responsabilizadas”, diz.

    arte Piaui

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    A performance na área de segurança pública transformou o Piauí num contraponto gritante a outros estados governados pelo partido de Lula, como Ceará e Bahia, que enfrentam graves crise nessa área. Isso também ocorria com o Piauí nos tempos de outra administração petista no governo estadual, a de Wellington Dias, atual ministro do Desenvolvimento. Sem dar muita bola a discursos ideológicos típicos da esquerda, como na teorização sobre os criminosos enquanto vítimas das mazelas sociais, a atual gestão do Piauí foi a campo para enfrentar o problema de forma organizada e profissional — e está colecionando vitórias na batalha contra os bandidos.

    Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982

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