Como o número de manifestantes na Paulista pode impactar a campanha de Flávio Bolsonaro
Ato reforça estratégia do senador de suavizar discurso, enquanto guerra no Irã entra na disputa eleitoral brasileira
Em meio à escalada internacional envolvendo o Irã, a Avenida Paulista se transformou no principal termômetro da política doméstica. A manifestação que reuniu cerca de 20 mil pessoas — segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap — evidenciou uma nova fase da estratégia bolsonarista: mobilização com discurso calculado (este texto é um resumo do vídeo acima).
No Ponto de Vista desta segunda, 2, a jornalista Marcela Rahal e o colunista Mauro Paulino analisaram o ato, marcado por críticas ao Supremo Tribunal Federal e pelo esforço de Flávio Bolsonaro de assumir um tom mais moderado.
O que a manifestação mostrou?
O número de participantes chamou atenção. Diferentemente de atos anteriores, quando aliados inflavam estimativas para falar em “milhões”, o dado científico apontou 20 mil pessoas na Paulista — quantitativo considerado significativo.
Para Paulino, isso demonstra o poder de mobilização rápida do bolsonarismo, ainda capaz de levar milhares às ruas, mesmo sem a presença de seu principal líder, Jair Bolsonaro.
O evento foi organizado com cuidado visual e simbólico. Flávio discursou usando colete à prova de balas e reforçou pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal que “descumpram a lei”.
O discurso foi mais moderado?
Sim. Segundo Paulino, o senador adotou termos mais amenos do que os utilizados pelo pai em momentos anteriores.
A crítica ao STF foi mantida, mas dentro de limites calculados. O objetivo seria evitar que o discurso fosse interpretado como crime eleitoral ou afronta direta às instituições.
Trata-se, nas palavras do colunista, de um “ataque controlado”: forte o suficiente para manter a base mobilizada, mas moderado para não provocar reações judiciais.
A guerra externa entrou no palanque?
Embora o foco do ato tenha sido o STF e o embate institucional, o contexto internacional ajudou a aquecer o ambiente político.
Segundo Paulino, no atual “xadrez eleitoral”, qualquer tema — inclusive conflito externo — vira insumo para a disputa interna. A polarização se alimenta de narrativas rápidas nas redes sociais, onde a direita pressiona por posicionamentos mais duros do governo brasileiro.
Existe um “bolsonarismo moderado”?
A tentativa de suavizar o discurso é vista como peça central da estratégia eleitoral de Flávio.
A pergunta, segundo Paulino, é até onde vai essa moderação. A marca Bolsonaro mantém forte mobilização, mas também carrega rejeição elevada. Amenizar a imagem pode ser fundamental para ampliar o alcance além da base fiel.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





