Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Como Lula reverteu a Magnitsky de Alexandre de Moraes

O bolsonarismo ainda não entendeu por que o Brasil é o primeiro a discursar na ONU

Por Matheus Leitão 12 dez 2025, 21h54 • Atualizado em 13 dez 2025, 10h30
  • A reversão das sanções impostas a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky não foi um gesto improvisado nem fruto de acaso. Foi o desfecho de um método. Enquanto o bolsonarismo tentou transformar a política externa em extensão de guerra cultural, Lula operou no terreno em que a diplomacia de Estado sempre funcionou: diálogo direto, pragmatismo e negociação de interesses.

    O episódio expõe, com nitidez, um erro estrutural do bolsonarismo. Ao longo dos últimos anos, o grupo tratou a diplomacia brasileira como instrumento ideológico, frequentemente capturado por agendas pessoais e cruzadas simbólicas. O caso mais emblemático foi a gestão de Ernesto Araújo no Itamaraty, descrita por diplomatas e analistas como um período sem precedentes de isolamento, conflito gratuito e abandono das tradições da política externa brasileira.

    Sob o governo de Jair Bolsonaro, e especialmente durante a passagem de Araújo pelo Itamaraty, houve o rompimento com o multilateralismo histórico do Brasil. O país atacou a ONU, a OMS, relativizou a agenda ambiental, comprou brigas desnecessárias com parceiros estratégicos e priorizou uma relação pessoal e ideológica com Donald Trump, em detrimento das relações institucionais entre Estados. O resultado foi o enfraquecimento do Brasil no cenário internacional e a perda de credibilidade acumulada ao longo de décadas.

    A diplomacia, sob o bolsonarismo, deixou de ser política de Estado para se tornar palco de encenação ideológica.

    Foi nesse ambiente que Eduardo Bolsonaro decidiu tentar “internacionalizar” o conflito interno brasileiro, articulando sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal junto ao governo americano. A estratégia era clara: usar Washington como atalho para pressionar instituições brasileiras. O erro foi imaginar que a política externa dos Estados Unidos, pragmática como é, se orientaria por afinidade ideológica ou por militância digital.

    Continua após a publicidade

    Lula entrou em cena pelo caminho oposto. Em vez de ruído, conversa. Em vez de bravata, mesa de negociação. A retirada de Moraes da lista Magnitsky ocorreu no contexto de um diálogo mais amplo com os Estados Unidos, que incluiu temas comerciais e tarifários. Foi uma operação clássica de política externa, conduzida no nível presidencial, com interesses cruzados e ganhos mútuos.

    O contraste é didático. Enquanto o bolsonarismo tentou sequestrar a diplomacia para fins domésticos, Lula devolveu a política externa ao seu lugar tradicional: instrumento de defesa do interesse nacional, não de disputas ideológicas. A reversão da Magnitsky não foi um ato de força, mas de método. Não foi espetáculo, mas resultado.

    No fim, o episódio resume dois projetos opostos. De um lado, a ilusão de que pressão internacional pode ser fabricada por redes sociais e alianças pessoais. De outro, a prática antiga e eficaz da diplomacia brasileira, que sempre soube que poder se exerce com paciência, credibilidade e negociação. Mesmo tendo passado pelo governo, o bolsonarismo ainda não entendeu por que o Brasil é o primeiro a discursar na Assembleia-Geral da ONU. O erro gigante foi desprezar essa lição básica. Lula apenas a reaplicou.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).