Com Castro na Europa, presidente do TJ cancelou visita ao papa para evitar vácuo de poder no Rio
O desembargador Ricardo Couto viajaria com outros magistrados; até Castro voltar, ele não usará a caneta de governador
Governador interino, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, precisou cancelar uma viagem em que encontraria o papa Leão XIV no Vaticano para evitar o vácuo de poder no estado. Cláudio Castro (PL) está na Europa, num giro por Dinamarca, Itália e Inglaterra, cumprindo agendas oficiais desde sexta-feira passada. O desembargador embarcaria no último domingo com mais quatro magistrados para uma visita ao pontífice. Na quinta-feira, no entanto, decidiu desmarcar sua ida diante da confusão que se tornou a linha sucessória no Palácio Guanabara: o Rio não tem mais vice, já que Thiago Pampolha assumiu uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE) após um racha com Castro, e o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), está afastado do comando da Casa por ordem do Supremo Tribunal Federal. A Alerj tem um presidente interino, Guilherme Delaroli (PL), mas não há previsão legal para que ele assuma o governo.
Couto é o terceiro na linha sucessória. Cauteloso, não usará a caneta de governador até a volta de Castro, prevista para sábado. Se o governador se desincompatibilizar até o início de abril para disputar o Senado, caberá ao desembargador convocar o processo de eleição indireta no Rio, que deverá ser realizada em até 30 dias. O assunto já é discutido abertamente e causa rebuliço nos bastidores. “A Casa do Legislativo deverá ter a seriedade e a responsabilidade de saber conduzir aquela pessoa que estará à frente do Executivo Estadual pelo período que está por vir. Aqui, é tempo em que a política ou o jogo político não pode acarretar prejuízos para o poder público. É tempo de atender aos anseios da sociedade que aqui se coloca”, afirmou Couto em discurso aos deputados no Palácio Tiradentes. O ocupante do mandato-tampão será decidido entre os parlamentares. Os políticos com espaço no governo já temem a paralisação da máquina em ano eleitoral enquanto o desembargador estiver no poder do estado.





