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Com assinatura até do PT, oposição protocola pedido de CPI contra João Campos no Recife

Grupo consegue mínimo de treze assinaturas para criar colegiado que irá apurar favorecimento a um candidato em concurso para o cargo de maior salário da cidade

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 mar 2026, 18h43 • Atualizado em 3 mar 2026, 09h07
  • Os vereadores de oposição ao prefeito do Recife, João Campos, que é também presidente nacional do PSB, conseguiram as assinaturas necessárias para protocolar uma CPI para investigar a gestão municipal em um caso sobre possível favorecimento administrativo ilegal de um candidato de concurso para o cargo de maior salário público da cidade.

    Intitulada pela oposição de CPI do Fura-Fila, a comissão conseguiu as treze assinaturas necessárias e foi oficialmente protocolada na Câmara Municipal do Recife nesta segunda-feira, 2. O colegiado, se realmente for instalado, irá investigar suposta fraude no concurso público para o cargo de procurador do município do Recife, tentando encontrar indícios de favorecimento pessoal e tráfico de influência.

    O mesmo caso a ser investigado levou a oposição a tentar pedir o impeachment de Campos, mas o processo foi negado por falta de apoios na Câmara de Vereadores.

    Vereadores signatários da CPI:

    •  1. Thiago Medina (PL)
    •  2. Paulo Muniz (PL)
    •  3. Fred Ferreira (PL)
    •  4. Gilson Machado Filho (PL)
    •  5. Eduardo Moura (Novo)
    •  6. Felipe Alecrim (Novo)
    •  7. Alef Collins (PP)
    •  8. Alcides Teixeira Neto (Avante)
    •  9. Davi Muniz (PSD)
    •  10. Rubem (PSB)
    •  11. Flávia de Nadegi (PV)
    •  12. Jô Cavalcanti (PSOL)
    •  13. Osmar Ricardo (PT)

    O PT faz parte da base do PSB oficialmente, no entanto, há vereadores do partido que não endossam a gestão Campos. O fato de haver a assinatura de um petista levou os partidos opositores a usarem a situação para legitimar ainda mais a CPI, afirmando que ela tem “caráter amplamente suprapartidário, reunindo vereadores da oposição, independentes e também parlamentares de partidos que integram a base do prefeito João Campos”.

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    O próximo passo serão as definições da composição da comissão (quais vereadores vão participar) e do início e período de trabalho da CPI.

    O caso que será investigado

    A CPI tratará da nomeação irregular de Lucas Vieira da Silva para o cargo de procurador do município em uma vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD), sendo que ele ficou na 63ª posição e, quando fez a prova do concurso, não possuía laudo de PCD e não concorreu às vagas afirmativas, mas apenas as de livre concorrência.

    A nomeação, assinada por Campos, estava em desacordo com o edital do concurso e gerava prejuízo a outro candidato, que tinha direito à vaga por já apresentar laudo de PCD quando fez a prova, e foi publicada no Diário Oficial do Município em 23 de dezembro de 2025. A nomeação ocorreu após um pedido de reclassificação de Lucas feito mais de três anos após o concurso, realizado em 2022 e homologado em junho de 2023.

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    Em 29 de maio de 2025, Lucas Vieira solicitou a reclassificação para concorrer como PCD, pedido que foi negado por três procuradoras concursadas do município em decisões técnicas sucessivas. Mesmo assim, quando o caso foi encaminhado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo comissionado indicado pelo prefeito João Campos, a situação foi revertida.

    Após repercussão negativa do caso e pressão popular, a gestão municipal decidiu revogar a nomeação. Para a oposição, o caso infringiu dispositivos da Lei Orgânica do Município, da Lei de Improbidade Administrativa, do Decreto-Lei 201, e até do Código Penal.

    Os vereadores também alertam para a suspeita de possível favorecimento do candidato, uma vez que Lucas Vieira é filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado e de um juiz que atua na vara de crimes contra a administração pública da capital, e que, em novembro de 2025, um mês antes da nomeação de Lucas, anulou os atos da Operação Barriga de Aluguel, que investigava a gestão de João Campos por possível desvio de verbas no valor de 500 milhões de reais.

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