Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Clima de Lava-Jato provocado por Master e INSS assombra a campanha de Lula

Há o temor de que os esquemas sob investigação desgastem a imagem do presidente e abram espaço para um azarão

Por Daniel Pereira 8 mar 2026, 14h22 • Atualizado em 8 mar 2026, 14h58
  • Líderes do PT e aliados de Lula nunca pensaram que a campanha à reeleição do presidente seria fácil. Pelo contrário, sempre trabalharam com a perspectiva de uma disputa tão acirrada quanto a de 2022, quando o petista venceu Jair Bolsonaro no segundo turno por menos de dois pontos percentuais de vantagem.

    A dificuldade para fazer a aprovação ao governo superar a desaprovação, o alto nível de rejeição a Lula e, mais recentemente, o crescimento nas pesquisas do opositor Flávio Bolsonaro ajudam a explicar essa analise e — a partir dela — as preocupações dos governistas com a próxima disputa eleitoral. O quadro, que já era complicado, tornou-se ainda mais desafiador com o avanço das investigações sobre os casos do Banco Master e do esquema de desvio de valores bilionários de aposentados e pensionistas do INSS.

    Em conversas reservadas, um dos mais importantes quadros da esquerda tem dito que os escândalos em curso estão criando um clima de Lava-Jato e que, se nada for feito para colocar um cabresto nas apurações, o governo ficará cada vez mais acuado. Ele alega que, mesmo que fique comprovado que o presidente não tem responsabilidade pela roubalheira e as fraudes no Master e no INSS, a tendencia é a população culpar o governante de turno pelo que está sendo noticiado. No caso, Lula. O resultado seria a transferência de votos para adversários.

    Segundo este líder da esquerda, o clima de Lava-Jato não necessariamente beneficiaria Flavio Bolsonaro, que seria visto pela população como um político tradicional, parte do sistema que surrupia segurados do INSS e facilita o enriquecimento de banqueiros bem relacionados. As investigações atuais poderiam abrir espaço mais uma vez para um outsider, como ocorreu com Jair Bolsonaro em 2018. O interlocutor petista mencionou até o nome de Renan Santos, presidente do partido Missão, ex-MBL, que aparece na rabeira das pesquisas sobre a Presidência.

    Lições do passado

    Quando a Lava-Jato ganhou as ruas, em 2014, e tração nos anos seguintes, conselheiros da então presidente Dilma Rousseff disseram para ela não se preocupar, porque o escândalo só afetaria o Congresso, deixando-o de joelhos diante da petista. A presidente, portanto, sairia ganhando. Um tremendo erro de avaliacão.

    Continua após a publicidade

    Com a Lava-Jato em seus calcanhares, Lula, na época ex-presidente, se reuniu com lideres do Congresso para dizer que era preciso deter a operação, que estaria criminalizando a politica. Já emissários de Dilma, quando perceberam a encrenca subindo a rampa do Planalto, tentaram costurar um acordo para que ela e os parlamentares — entre eles, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha — se salvassem, mas não deu certo. Dilma caiu, Lula e Cunha foram presos, e o resto da história é conhecida.

    Diante do precedente, líderes do PT e assessores do presidente querem que ele entre em campo para conter a sangria do Master e do INSS. Os aliados dizem que autoridades dos Três Poderes estão acuadas, sem força para reagir. Caberia a Lula tomar a dianteira e tentar controlar um pouco as investigações da Polícia Federal, para impedir que todos, inocentes e culpados, sejam colocados no mesmo balaio.

    Se não fizer isso, o presidente corre o risco de ser penalizado nas urnas. De ser responsabilizado pelo eleitor mesmo que não tenha se envolvido nas falcatruas. E de permitir que um azarão dispare na reta final da corrida presidencial.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).