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Ciro Gomes e Fernando Haddad avaliam união da esquerda

Pré-candidato à Presidência, ex-ministro jantou nesta semana com o ex-prefeito de São Paulo, cotado como possível substituto de Lula como candidato do PT

Por Estadão Conteúdo 22 fev 2018, 18h10

Em jantar realizado na terça-feira, 20, no apartamento do ex-deputado Gabriel Chalita (PDT), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, discutiram a criação de condições para uma aproximação entre partidos de centro-esquerda ainda antes do início formal da campanha eleitoral e dos registros das candidaturas, em agosto.

Segundo interlocutores de Ciro e Haddad, a conversa não ocorreu em torno da escolha de nomes nem da possibilidade cada vez maior de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser impedido pela Justiça de disputar a eleição.

Os temas principais foram a necessidade da centro-esquerda se unir para fazer frente às candidaturas de centro-direita e como alinhavar essa união diante da inconsistência do cenário eleitoral em que, faltando seis meses para o registro das candidaturas, poucos nomes conseguiram se consolidar, seja por motivos políticos, seja por razões legais. De acordo com pessoas que falaram com o petista e o pedetista, ambos consideram que a unidade é a única forma de impedir o avanço da direita nas eleições de outubro.

Ciro teria proposto a criação de um ambiente de diálogo, no qual todas as siglas manteriam seus nomes, inclusive o de Lula, que leve à consolidação da unidade antes dos registros das candidaturas. Haddad se dispôs a levar a proposta ao ex-presidente e ao PT.

Manifesto

Ambos concordaram que o manifesto divulgado também na terça-feira por fundações ligadas a PT, PDT, PCdoB, PSB e PSOL pode ser um ponto de partida para o início da aproximação. O documento omite qualquer referência em relação à candidatura de Lula. Segundo pessoas que participaram da elaboração do texto, a omissão foi um pedido de Ciro, que também é o único pré-candidato da centro-esquerda a não assinar o manifesto “Eleição sem Lula é Fraude”.

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Conforme aliados do ex-governador do Ceará, Fernando Haddad teria salientado a dificuldade de convencer os petistas a apoiarem um nome de outro partido e o pré-candidato do PDT teria dito que já retirou a candidatura uma vez, em 2010, a pedido de Lula, e não está disposto a repetir o gesto.

Coordenador do programa de governo do PT para as eleições deste ano, Haddad é cotado para suceder a Lula caso o ex-presidente seja impedido pela Justiça de se candidatar. Já Ciro é apontado como possível herdeiro dos votos do petista. Ele foi ministro da Integração Nacional no governo Lula e é um dos o pré-candidatos que mais crescem caso o ex-presidente fique inelegível, segundo as pesquisas de opinião.

Condenado em segunda instância a 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, Lula pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

Além de Ciro e Lula, o PCdoB já lançou o nome da deputada estadual Manuela D’Ávila (RS) como pré-candidata ao Planalto e o PSOL tenta convencer Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a se filiar e disputar a Presidência. O PSB negocia apoio ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mas mantém canais de diálogo com o ex-presidente.

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