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China e Rússia não veem esse acordo como ameaça, diz especialista

Escalada retórica em torno da Venezuela adiciona risco geopolítico aos mercados

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jan 2026, 11h39 •
  • A promessa dos Estados Unidos de levar dezenas de milhões de barris de petróleo venezuelano para o mercado americano colocou novamente a Venezuela no centro do tabuleiro geopolítico. O movimento, liderado pelo presidente Donald Trump, vai muito além da energia: reacende tensões com China e Rússia, eleva a incerteza dos mercados e reforça a percepção de que o petróleo voltou a ser instrumento direto de pressão política internacional (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Nos últimos dias, Moscou chegou a escoltar petroleiros com ativos militares, enquanto Pequim classificou a ofensiva americana como “bullying”. Para o CEO da Arko International, Thiago Aragão, o problema central não é o volume imediato de petróleo envolvido, mas o aumento da temperatura política em um setor altamente sensível à instabilidade.

    Por que o petróleo amplifica o risco geopolítico?

    O mercado de energia funciona melhor em ambientes de baixa tensão. Quando disputas políticas entram em cena, o impacto não se limita ao preço do barril, mas se espalha por cadeias de suprimento, contratos internacionais e expectativas de longo prazo.

    No caso venezuelano, há ainda um agravante técnico: o petróleo do país é extremamente pesado, quase sólido, exigindo processos caros e complexos de refino. Isso reduz sua atratividade econômica e torna as promessas de grandes volumes menos simples do que sugerem os discursos políticos.

    China e Rússia realmente dependem do petróleo venezuelano?

    Segundo Aragão, não. Tanto China quanto Rússia vinham extraindo volumes relativamente modestos da Venezuela, justamente pelas limitações operacionais do país. Ainda assim, o discurso agressivo dos Estados Unidos provoca reação porque envolve muito mais do que oferta imediata.

    A China, por exemplo, pode ampliar rapidamente suas importações de petróleo do Irã — hoje entre 1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia — como forma indireta de retaliação. Esse movimento daria fôlego extra ao regime iraniano e funcionaria como resposta estratégica a Washington.

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    A retórica de Trump pode desestabilizar os mercados?

    Sim — ainda que não haja escassez real de petróleo no curto prazo. Para Aragão, o simples fato de China e Rússia elevarem o tom contra os Estados Unidos já é suficiente para manter investidores em compasso de espera.

    Em um mercado altamente sensível a expectativas, discursos beligerantes, escoltas militares e acusações públicas aumentam o prêmio de risco, pressionam ativos e tornam decisões de investimento mais cautelosas, sobretudo em economias emergentes.

    Há um paradoxo na reação de China e Rússia?

    Existe. Apesar da retórica dura, Pequim e Moscou podem enxergar vantagens em um eventual acordo entre Estados Unidos e Venezuela que preserve o regime bolivariano.

    Isso porque a oposição venezuelana sempre deixou claro que poderia invalidar contratos firmados com China e Rússia, alegando falta de legitimidade do governo de Nicolás Maduro. A entrada dos Estados Unidos, com interesse em reorganizar o marco legal do país, poderia acabar validando contratos existentes — algo visto com menos resistência por chineses e russos.

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    O que realmente está em jogo na Venezuela?

    Mais do que petróleo, está em disputa o controle jurídico e político do futuro venezuelano. A reorganização do marco legal, desejada por Washington, pode redefinir contratos, garantir ativos dados como garantia a empréstimos e reduzir incertezas que hoje pesam sobre credores internacionais.

    Nesse cenário, a escalada retórica funciona tanto como pressão quanto como instrumento de negociação. O risco é que, até que os contornos fiquem claros, o mercado continue operando sob forte volatilidade.

    O petróleo voltou a ser arma política?

    Para Thiago Aragão, sim. A crise mostra que o petróleo voltou ao centro da geopolítica global não apenas como commodity, mas como ferramenta de poder. Mesmo sem ruptura imediata de oferta, o aumento da tensão política já é suficiente para elevar riscos, reorganizar alianças e redesenhar estratégias globais.

    Em um mundo cada vez mais fragmentado, o episódio venezuelano sinaliza que energia, política e segurança voltaram a caminhar juntas — com impacto direto sobre mercados, investimentos e estabilidade internacional.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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