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Bolsonaro defendeu ‘liberdade de escrita’ a alunos que admiravam Hitler

O nazista foi apontado como personagem histórico favorito por formandos de 1995 do Colégio Militar de Porto Alegre, superando Gandhi e Jesus Cristo

Por Fernando Molica Atualizado em 24 out 2018, 21h50 - Publicado em 24 out 2018, 21h19

Em discurso feito em 21 de janeiro de 1998, o deputado Jair Bolsonaro defendeu os oito alunos do Colégio Militar de Porto Alegre que citaram Adolf Hitler como personagem histórico que mais admiravam. O nazista foi o campeão das indicações feitas por 84 dos 158 formandos da turma de 1995 que mencionaram o nome de personalidades para a revista Hyloea, publicada por estudantes da instituição dois anos depois. Em sua fala na Câmara dos Deputados, Bolsonaro frisou que aqueles jovens estavam “realmente carentes de ordem e de disciplina neste país”. Como, segundo ele, este tipo de exemplo não era dado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, “eles (os estudantes) têm que eleger aqueles que souberam, de uma forma ou de outra, impor ordem e disciplina”.

O hoje candidato à Presidência frisou que não concordava com “as atrocidades cometidas por Adolf Hitler”. Mas ressalvou que a publicação era bancada pelos alunos, que “têm liberdade de escrever o que bem entenderem”. Ele também afirmou: “Devemos respeitar esta juventude que começa, a partir destes debates e desta matéria na imprensa, a se preparar para ser, de fato, cidadãos no futuro”. Bolsonaro criticou o Centro de Comunicação Social do Exército, “que anunciou que vai acompanhar a revista”.

Bolsonaro responsabilizou a imprensa pela repercussão da escolha feita pelos estudantes: “Quero deixar patente minha revolta com a grande mídia, um tanto quanto servil, que criticou duramente o Colégio Militar de Porto Alegre apenas porque nove (foram oito) entre 84 alunos resolveram eleger, entre o Conde Drácula, Hércules, Nostradamus, Rainha Catarina, Ática — só faltou FHC —, Hitler como personalidade histórica mais admirada”.

De acordo com o parlamentar, se os estudantes tivessem escolhido Fernando Henrique Cardoso “logicamente estariam elegendo o pai do governo mais corrupto da história do Brasil, porque ele não permite que nenhuma denúncia de corrupção seja apurada por esta Casa”. O parlamentar acrescentou que o então presidente da República não era “exemplo para a juventude”. O discurso foi publicado na edição do dia 22 de janeiro de 1998 do Diário da Câmara dos Deputados e está disponível no site da Câmara.

De acordo com reportagem publicada em 19 de janeiro de 1998 pelo Jornal do Brasil, Hitler ficou à frente de personagens como Tiradentes, Ayrton Senna e Joana D´Arc (cada um teve seis votos). O responsável pelo extermínio de seis milhões de judeus e pela matança de homossexuais e de representantes de minorias étnicas como ciganos também ficou à frente de Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Herbert de Souza (o Betinho) e dos soldados brasileiros que lutaram na II Guerra Mundial, deflagrada por Hitler e que causou a morte de entre 40 milhões e 72 milhões de pessoas. Na revista, alunos justificaram a escolha do nazista. Citaram sua “inteligência e audácia”, seu “dom da palavra” perante as multidões, seu “poder de indução” e sua determinação.

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