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‘Bandido tem que ser preso e receber julgamento justo’, diz novo secretário de Segurança Pública

Chico Lucas, que assumiu no final de janeiro a secretaria, afirma que não há dicotomia entre defender direitos humanos e ter políticas de segurança fortes

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 fev 2026, 12h00 •
  • A redução de vários indicativos criminais no Piauí, mostrando o sucesso de um “arroz com feijão” bem-feito nas políticas de segurança pública projetaram o chefe estadual da pasta, Chico Lucas, para o Ministério da Justiça. Na gestão de Wellignton César Lima e Silva, ele foi nomeado, no final de janeiro, para a cadeira de secretário nacional de Segurança Pública, posto que pertencia ao ex-procurador de São Paulo Mário Sarrubo.

    De 2022 para cá, o Piauí reduziu em 34% a taxa de homicídios e em 44% os latrocínios. Programas como o “Meu Celular de Volta” serviram de modelo para o “Celular Seguro”, replicado a nível nacional. Lucas, filiado ao PT, afirma a VEJA que é possível conciliar a proteção aos direitos humanos com a atuação firme do estado na segurança pública. “Entendemos que o bandido precisa ser preso. Diferente da direita, que defende que ele tem que ser morto. O Estado não pode matar, o Estado tem que prender. E essa prisão se dá com investigação, com elucidação, com processo e julgamentos justos”, disse. 

    Leia a entrevista a seguir:

    Os números mostram uma grande redução das mortes de policiais e também em crimes dolosos contra a vida. Por quê? Os crimes dolosos contra a vida têm que ser enfrentados com força, mas, principalmente, com inteligência – aperfeiçoamento dos processos, principalmente de inquéritos policiais. Criamos um monitoramento constante de homicídios para instaurar inquéritos, buscar a resolução com elucidação, ou seja, com a definição da autoria e da materialidade. Além disso,  promovemos uma forte integração do Poder Judiciário com o Ministério Público. Isso tudo fez com que o índice de esclarecimento crescesse. Esclarecendo homicídios, aqueles que cometiam esse crime foram responsabilizados e saíam de circulação. Além disso, o enfrentamento feito com integração e inteligência diminuiu a possibilidade mortes causadas pela polícia. Apesar de termos mais do que dobrado o cumprimento dos mandados de prisão, a letalidade policial no Piauí caiu, perdendo apenas para o Distrito Federal. No ano passado (2025), foram apenas 20 mortes por intervenção de agentes do estado. Aumentamos o número de prisões, reduzimos os de homicídios e de letalidade policial. 

    Como conciliar a defesa dos direitos humanos com uma política de segurança pública que seja firme? Essa é uma falsa dicotomia. Sou filiado ao PT, fui presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e defendo o Estado funcionar. E, no Estado funcionando, há um princípio que é o da responsabilização criminal, ou seja, quem comete crimes violentos, crimes contra a vida, contra o patrimônio, contra qualquer bem jurídico tutelado precisa responder. Essa dicotomia não existe. É um dilema inexistente, porque há sim como se compatibilizar o discurso e o enfrentamento à criminalidade com respeito aos direitos humanos, que é através do direito ao acesso legal. Principalmente quando nós exigimos que aqueles que atentam contra a vida e contra o patrimônio dos trabalhadores, das pessoas mais ricos, sejam presos. Entendemos que o bandido precisa ser preso. Diferente da direita, que defende que ele tem que ser morto. O Estado não pode matar, o Estado tem que prender. E essa prisão se dá com investigação, com elucidação, com processo e julgamentos justos. É outro equívoco dizer que a esquerda tem uma visão contrária à segurança pública.

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    No Piauí como vocês contiveram o avanço das facções nessa estratégia de controle territorial dos bairros? Usamos uma dupla estratégia. A primeira foi de descapitalização. Fizemos uma operação Carbono Oculto 86, um desdobramento da Carbono Oculto, que é um modelo exitoso nacional. Percebemos que haviam atores que se repetiam a nível local e descapitalizamos uma rede de postos de combustíveis com mais de 40 postos, que eram usados na lavagem de dinheiro. Mas também não descuidamos da base do crime organizado, com processamentos de inquéritos envolvendo aqueles que cometiam crimes violentos, contra a vida e ameaças. Essas pessoas que exercem poder contra as populações, principalmente no que diz respeito à imposição de medo, precisam ser responsabilizadas e terem seus processos analisados, de modo célere pelo poder judiciário, para que eles sejam responsabilizados e encarcerados. Não tem como enfrentar o crime organizado se não for com várias ações coordenadas, que vão desde a responsabilização ao encarceramento daqueles elementos violentos que cometem crimes contra a vida, que geram tanto medo na população dos territórios dominados. 

    Reportagem recente de VEJA mostrou que o Brasil tem quase 300 000 mandados de prisão em aberto e um sistema carcerário já superlotado, com meio milhão de vagas e mais de 700 000 presos. Prender mais realmente resolve? Temos que saber a diferença entre os presos. Há o preso que comete um crime eventual, de menor potencial ofensivo, que é a grande maioria, para os quais há instrumentos de ressocialização e penas alternativas. Estamos falando de uma pequena quantidade de pessoas com um potencial lesivo muito maior, mais violentas, e que, portanto, precisam receber uma resposta estatal mais dura, mais severa, no sentido do encarceramento. Lógico que há muitos mandados de prisão e a questão do encarceramento está sendo tratada a nível federal, pelo Ministério da Justiça e pelo Senapem. Mas o que estamos fazendo é um recorte dos que cometem crimes violentos. Eles não são a maioria, mas com certeza são os que impactam negativamente a percepção de segurança da sociedade.

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