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‘Banco Master é uma verdadeira vaca leiteira’, diz relator da CPI do Crime Organizado

Para Alessandro Vieira, gastos bilionários com advocacia sem contraprestação clara exigem investigação profunda do Senado

Por Marcela Rahal Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jan 2026, 13h03 • Atualizado em 27 jan 2026, 13h45
  • Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a comissão vai avançar na apuração dos vínculos do Banco Master com integrantes dos Três Poderes, a partir de requerimentos formais de acesso a documentos. Um dos primeiros passos, segundo ele, será a solicitação da relação completa de gastos da instituição com bancas de advocacia. “As notícias apontam um gasto de quase R$ 1 bilhão em dois anos. Eu preciso dessa relação”, disse, em entrevista ao Ponto de Vista, de VEJA.

    Vieira destacou que parte desses contratos chama a atenção pela ausência de contraprestação evidente. Como exemplo, citou pagamentos de cerca de R$ 4 milhões mensais ao escritório da família do ministro Alexandre de Moraes. “Você não consegue encontrar praticamente nenhum ato concreto. Se esse é provavelmente o contrato máximo, qual é a contraprestação?”, questionou. Para o senador, contratos dessa magnitude são raríssimos no mercado jurídico e, sem justificativa clara, tornam-se “escandalosos”.

    O relator ressaltou que a CPI não fará julgamentos antecipados, mas que os casos precisarão ser analisados com base em fatos e documentos. “Eventualmente, eles podem demonstrar que prestaram relevantes serviços à empresa. Então a gente vai fazer essa apuração”, afirmou, dizendo confiar na capacidade do Senado de conduzir a investigação.

    Vieira também criticou a postura da Procuradoria-Geral da República, que, segundo ele, ‘fechou os olhos’ e se omitiu diante das suspeitas. “Quando você tem essa omissão do PGR, o caminho que resta é o da Comissão Parlamentar de Inquérito”, disse. Ele mencionou ainda o encontro do presidente Lula com o ministro Dias Toffoli, classificando como inadequada a discussão de um processo irregular dentro do Supremo entre um chefe do Executivo e o relator do caso.

    Questionado sobre convocações, o senador afirmou que todas são possíveis, inclusive de empresários e personagens centrais do caso. “Esse relacionamento ocupou o Supremo, o Executivo e o Legislativo. Durante alguns anos, o Banco Master foi uma imensa vaca leiteira que serviu a todos”, afirmou. Para ele, apenas uma apuração rigorosa permitirá identificar o grau de infiltração e as eventuais contrapartidas. “Essa vaca leiteira pagou milhões e milhões. A que título? Com que benefício? Só a investigação séria pode responder.”

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