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As promessas de Paulo Gonet como futuro PGR

Indicado falou do papel do Executivo em políticas públicas e, segundo apoiadores, não deve nem ser leniente nem apresentar “denúncias aventureiras”

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
3 dez 2023, 10h43

Entusiastas da indicação de Paulo Gonet para a procuradoria-geral da República (PGR) dão por certo há meses que, ungido ao cargo de chefe do Ministério Público da União, ele tomará para si as investigações que miram os atos de vandalismo de 8 de janeiro, validará a delação premiada fechada por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, e denunciará o capitão ao Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na trama golpista. Frente a frente com o presidente Lula na campanha pelo posto, Gonet foi – por óbvio – mais comedido.

Ao presidente, ele afirmou trabalhar com “equilíbrio e segurança” e, segundo apoiadores, não deve apresentar “denúncias inconsistentes e aventureiras” e tampouco ser “leniente com práticas criminosas”. A menção a duas posturas antagônicas tem no retrovisor os mandatos dos ex-PGR Rodrigo Janot, que denunciou Lula e quatro ex-presidentes da República e chefiava o MP no auge da Lava-Jato, e de Augusto Aras, que ao longo de quatro anos pouco fustigou Bolsonaro.

Embora não tenha caído de amores pelo candidato, braço de Aras no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apadrinhado pelos ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, Lula ouviu do subprocurador, de acordo com o relato de interlocutores, um breve histórico de sua carreira profissional, de ex-assessor do ministro aposentado Francisco Rezek às atuações dele no Supremo, e uma defesa de certo distanciamento do PGR em relação a eventuais questionamento de políticas públicas definidas pelo Executivo – ele disse, por exemplo, que não deveria ser papel do Congresso questioná-las de pronto.

O fantasma do mensalão e da Lava-Jato

Escaldado pelas nomeações de procurador-geral feitas nos governos do PT, nos mais de dois meses em que se reuniu com candidatos e aliados para discutir quem apontaria como sucessor de Aras, Lula fazia questão de numerar cada político que apoiou a escolha de Cláudio Fonteles, Antonio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, indicados em seus mandatos, e de Rodrigo Janot, PGR no governo Dilma Rousseff. Antonio Fernando foi responsável pela denúncia do mensalão, primeiro escândalo de corrupção da era petista, e Gurgel por atuar no julgamento do caso junto ao STF.

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Em uma das conversas sobre quem deveria ser o novo procurador-geral, depois de se deparar com um de seus ex-PGR acompanhado de um ex-advogado-geral da União e do nome preferido do PT, o subprocurador Antonio Carlos Bigonha, o petista comentou com um interlocutor que os dois padrinhos do candidato eram “pai e mãe de Janot”. Ao longo de dois mandatos, Rodrigo Janot apresentou denúncias contra deputados, senadores, governadores, operadores financeiros e, apenas na esteira da delação da Odebrecht, 83 pedidos de abertura de inquérito para investigar políticos.

Uma autoridade que acompanhou a escolha que o presidente fez à PGR resumiu assim os critérios utilizados por Lula para a indicação ao cargo: “um outro Lula não escolheria o Gonet, mas, considerando toda a experiência dele, viu que não pode ter bravateiros na PGR”. Paulo Gonet será sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado no dia 13 de dezembro.

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