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As primeiras promessas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro

Zero Um vai anunciar compromisso de não disputar a reeleição e medidas de responsabilidade fiscal

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 fev 2026, 16h18 • Atualizado em 23 fev 2026, 09h30
  • Praticamente jogando parado desde que anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se prepara para apresentar suas primeiras promessas de campanha nas semanas seguintes ao fim do Carnaval, que é quando, na prática, as instituições em Brasília começarão o ano de trabalho de 2026.

    A primeira delas deve ser a formalização da posição contrária à reeleição presidencial e o compromisso de, se vencer o pleito em outubro deste ano, não disputar um novo mandato em 2030. A informação é do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da pré-campanha do filho Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Em 2022, com a vitória de Lula, o patriarca do clã tornou-se o primeiro candidato à reeleição ao Palácio do Planalto a sair derrotado das urnas sob a Constituição de 1988. Antes dele, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (1994 e 1998), o próprio Lula (2002 e 2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), ambos do PT, haviam todos vencido duas eleições presidenciais consecutivas.

    Em paralelo ao compromisso de não disputar a reeleição, afirma Rogério Marinho, existem propostas e estudos a respeito de “praticamente todos os temas que são importantes para o país” no QG eleitoral do pré-candidato do Partido Liberal.

    Buscando transparecer moderação, sob alcunhas como a do “Bolsonaro que se vacinou” contra a covid-19, Flávio parece estar às voltas com ideias pensadas sob medida para marcar contraste com o governo de seu pai. Além de ter multiplicado programas sociais e aumentado o valor transferido às famílias beneficiárias no ano da disputa da reeleição, o capitão reformado abriu, a partir de 2019, a porteira de cargos do primeiro ao terceiro escalão de seu governo para indicações do Centrão. Foi sob a sua Presidência que se agigantou o orçamento secreto, com a distribuição multibilionária de emendas parlamentares.

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    “Desde o princípio de dezembro, quando anunciou a pré-candidatura, Flávio Bolsonaro tem sentado conosco de forma mais esporádica — e, a partir da semana que vem, com mais frequência — para validar certas ideias. A partir daí, de forma gradual ele deve levar essas propostas a público”, disse Rogério Marinho.

    Em suas redes sociais, o Zero Um sinalizou promessas de cortes de gastos e governança, defendendo uma “tesourada” em “impostos que o Lula ama criar”, em “gastos públicos desnecessários” e “cargos para marajás e amigos”, em “leis inúteis e obsoletas”, em “multas abusivas e taxas sem retorno”, na “corrupção” e no “jeitinho”, na interferência política em órgãos técnicos e, genericamente, na “criminalidade”.

    De acordo com Marinho, o pré-candidato da família Bolsonaro seguirá, com suas propostas, uma “linha clara de responsabilidade fiscal, para estabilizar a curva da dívida pública e revisitar reformas estruturantes, como a trabalhista, a previdenciária e a administrativa”.

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    “A reforma tributária está nos legando o maior imposto sobre o valor agregado do mundo, porque o governo se ausentou da regulamentação e permitiu que os lobbies tomassem conta”, afirmou o líder da oposição no Senado.

    Dando a letra daquilo que, por contraposição, deve aparecer em um futuro programa de governo de Flávio Bolsonaro, o coordenador da pré-campanha alegou que “banqueiros que o PT diz combater nunca ganharam tanto dinheiro”, dado que, segundo ele, Lula “joga de forma irresponsável com uma expansão fiscal insustentável” e “leva a política monetária no caminho diferente, na contramão do que ele injeta como ‘remédio’ na economia”.

    “Temos no Brasil o maior juro real do mundo, de 15%. Descontada a inflação, dá mais de dez pontos percentuais por ano. Nunca o sistema financeiro foi tão bem remunerado como sob Lula”, declarou Marinho. “Temos perdido uma série de oportunidades porque a Presidência da República tem sido capturada por grupos de interesse. Para piorar, pode aliar isso ao assalto criminoso contra empresas estatais. Estamos repetindo a mesma tragédia de 2014 e 2015”, acrescentou.

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