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As armas de Flávio e Lula na guerra eleitoral aberta pelo ataque de Trump ao Irã

Nota do Itamaraty que condena ofensiva de EUA e Israel é usada por governo e oposição como munição nas redes sociais

Por Redação VEJA 1 mar 2026, 12h34 • Atualizado em 1 mar 2026, 15h02
  • A reação oficial do governo brasileiro ao ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã rapidamente atravessou fronteiras e desembarcou no centro da disputa política nacional. Em nota divulgada na noite de sábado, 28, o Itamaraty manifestou “profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo”, classificou o episódio como ameaça à paz internacional e defendeu o respeito ao direito internacional e à soberania dos Estados (este texto é um resumo do vídeo acima).

    O governo reafirmou que o diálogo e a negociação diplomática são “o único caminho viável” para a resolução do conflito.

    No Giro VEJA Especial, transmitido neste domingo, 1, a jornalista Marcela Rahal e o colunista Robson Bonin, de Radar, analisaram como essa posição serviu de munição imediata para a oposição e intensificou a polarização em curso no Brasil.

    O que diz a nota do governo?

    O texto divulgado pelo Itamaraty condena medidas que violem a soberania de terceiros estados e que possam ampliar o conflito. Também reforça a defesa histórica do Brasil pelo fortalecimento do Conselho de Segurança da ONU e pela observância das normas internacionais.

    A posição segue a tradição diplomática brasileira de priorizar multilateralismo e negociação.

    A oposição usou o episódio contra o governo?

    Segundo Robson Bonin, em um momento de campanha eleitoral avançada, as redes sociais se tornaram a principal arena de disputa — e qualquer acontecimento internacional vira “carvão para jogar na fogueira da polarização”.

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    A oposição passou a explorar a relação histórica de desgaste entre governos petistas e Israel. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o posicionamento do governo Lula seria “inaceitável” e que o Brasil estaria “do lado errado” do conflito.

    De acordo com Bonin, a estratégia é colar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao regime iraniano para mobilizar o eleitorado de direita — segmento em que a defesa de Israel costuma gerar forte engajamento.

    O governo reagiu às críticas?

    A ministra Gleisi Hoffmann respondeu que Flávio Bolsonaro estaria pregando subserviência ao presidente americano Donald Trump, mesmo diante de violações do direito internacional.

    O líder do PT na Câmara também repudiou os ataques e reiterou que guerras não constroem paz.

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    Do outro lado, o líder do PL afirmou que o Brasil estaria caminhando ao lado de um “eixo que financia o terror”.

    Trata-se de posicionamento ideológico?

    Para Bonin, há oportunismo político dos dois lados. Ele destacou que manter relações diplomáticas não significa apoiar um regime específico. Segundo relato de um diplomata ouvido pelo colunista, a interpretação de que o Brasil estaria defendendo o regime iraniano seria uma distorção.

    O debate, porém, foi rapidamente deslocado para o campo dos valores morais e identitários — terreno fértil para mobilização de bolhas digitais.

    Lula entra diretamente no embate?

    Segundo Bonin, o presidente Lula tem evitado atacar diretamente Flávio Bolsonaro para não reforçar sua imagem como principal adversário na disputa eleitoral.

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    O resultado é uma operação política simultânea: governo e oposição exploram o conflito internacional para energizar suas bases, enquanto o episódio amplia a já intensa polarização doméstica.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Giro VEJA Especial (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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