As duas cobranças de Gleisi aos ministros do Centrão
Em análise no Ponto de Vista, repórter Marcelo Ribeiro revela pressão do Planalto sobre aliados
O governo federal intensificou a articulação política para tentar conter a pauta da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e, ao mesmo tempo, destravar projetos considerados prioritários pelo Palácio do Planalto, como a reforma do Imposto de Renda. Segundo o repórter Marcelo Ribeiro, da coluna Radar, em análise no programa Ponto de Vista, a presidente do PT e ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou ministros de partidos do Centrão para “operar” junto a suas bancadas no Congresso.
De acordo com Ribeiro, a preocupação do Planalto é que as principais propostas do governo estejam sendo “escanteadas” em favor de projetos de interesse da oposição e de setores do Centrão, como a chamada PEC da Anistia e a PEC da Blindagem, que busca restringir investigações contra parlamentares. “A Gleisi pediu um socorro. A avaliação dentro do Planalto é que o Congresso vem deixando de lado as prioridades do governo”, disse.
Entre as matérias estratégicas, Ribeiro destacou a reforma do Imposto de Renda, que chegou a ser aprovada em comissão especial antes do recesso parlamentar de julho, mas não avançou desde a retomada dos trabalhos. “Essa proposta poderia ter sido pautada já na semana passada, mas sequer entrou em votação no plenário”, afirmou.
Outra prioridade é a PEC da Segurança Pública, que ainda caminha lentamente no Legislativo. Uma comissão especial foi criada, mas o texto deve levar tempo para ser apreciado. Enquanto isso, a oposição tem conseguido impulsionar temas caros ao bolsonarismo, colocando em segundo plano a agenda econômica do governo Lula.
Os bastidores sobre a crise com Tarcísio
No campo político, Ribeiro trouxe ainda bastidores sobre a postura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que, em ato público, chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “tirano” e defendeu a anistia. Para analistas do Congresso ouvidos pelo repórter, a estratégia pode ter efeito contrário ao pretendido.
Segundo Ribeiro, Tarcísio buscou “pagar pedágio” para assegurar a bênção do ex-presidente Jair Bolsonaro e se viabilizar como candidato ao Planalto em 2026. No entanto, a forma como se posicionou foi avaliada como excessiva. “O tom foi de vassalagem, de subserviência. Isso pode agradar à militância fiel de Bolsonaro, mas tende a afastar eleitores de centro, que são essenciais em uma eleição nacional”, afirmou.
A leitura no meio político é que, ao adotar um discurso mais radicalizado, Tarcísio fortalece sua relação com a base bolsonarista, mas corre o risco de comprometer sua capacidade de atrair apoios mais amplos no futuro.





