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Após jogada de Trump, Lula recalcula a rota nos bastidores

Planalto vê risco de aderir ao 'Conselho de paz' e desconfia de uma ofensiva que pode esvaziar a ONU e legitimar um projeto de intervenção

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jan 2026, 10h00 • Atualizado em 25 jan 2026, 11h04
  • A mais recente iniciativa internacional do presidente Donald Trump voltou a acender alertas na diplomacia brasileira. Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, Trump anunciou a criação de um ‘Conselho de Paz’ voltado à reconstrução da Faixa de Gaza após a devastação causada pela ofensiva israelense. O Brasil foi convidado a integrar o grupo, mas, até agora, evita qualquer adesão precipitada (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Segundo o colunista Robson Bonin, o governo Lula trata a proposta com extrema cautela. A avaliação no Itamaraty é que a iniciativa pode representar menos um esforço humanitário e mais uma jogada geopolítica de Trump para enfraquecer organismos multilaterais tradicionais, como a Organização das Nações Unidas, e concentrar poder decisório em uma estrutura paralela liderada pelos Estados Unidos. Na sexta, 23, o presidente criticou Trump.

    O que Trump realmente pretende com o “Conselho de Paz”?

    Para diplomatas brasileiros, há uma “fumaça” que esconde interesses bem mais amplos. A leitura predominante é que Trump tenta criar uma entidade que faça sombra à ONU e legitime um projeto de intervenção direta em Gaza, inclusive com forte viés econômico. A reconstrução do território palestino, segundo essa visão, abriria espaço para contratos bilionários, controle urbanístico e influência estratégica — tudo sob a batuta de Washington.

    O histórico recente do presidente americano reforça essa desconfiança. Trump tem falado abertamente em outros contextos sobre interesses econômicos, como petróleo e reconstrução, sem recorrer à linguagem diplomática tradicional. No caso de Gaza, vídeos e declarações antigas sugerem um projeto de “reformatação” completa do território, sem qualquer compromisso explícito com a autodeterminação do povo palestino.

    Por que o Brasil resiste a aderir?

    A posição brasileira é ancorada em uma linha histórica de defesa da autodeterminação dos povos e do reconhecimento do Estado palestino. Aderir a um conselho liderado por Trump neste momento poderia ser interpretado como endosso a uma iniciativa unilateral, especialmente num cenário em que países europeus como Reino Unido, França e Itália já sinalizaram que ficarão de fora.

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    Quem aderiu — e quem ficou de fora?

    Até agora, o “Conselho de Paz” atraiu sobretudo líderes alinhados politicamente a Trump ou governos com regimes pouco afeitos à democracia liberal. Na América do Sul, destacam-se Javier Milei e o presidente do Paraguai.

    A ausência de democracias europeias relevantes reforça, aos olhos do Planalto, o risco de que o conselho se transforme em uma vitrine política de Trump, mais do que em um fórum legítimo de mediação internacional.

    Uma ‘cilada’ diplomática?

    Para interlocutores do governo brasileiro, aderir agora poderia significar assumir corresponsabilidade por decisões futuras imprevisíveis. A avaliação é que o grupo pode funcionar como uma armadilha política: quem entra, endossa; quem endossa, perde margem de crítica quando os rumos do projeto se tornarem mais claros — e possivelmente mais controversos.

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    Nesse contexto, o Brasil prefere o compasso de espera. Lula mantém o discurso em defesa dos palestinos e observa atentamente os próximos movimentos. Em um mundo cada vez mais polarizado, a diplomacia brasileira tenta não cair na tentação de soluções fáceis — sobretudo quando elas vêm embaladas como “conselhos de paz”.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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