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Apontado como operador do MDB promete devolver US$ 7,2 milhões

Em depoimento à Lava Jato, Mário Miranda admitiu que valor é oriundo de práticas ilícitas em contratos da Petrobras

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 Maio 2018, 13h10 | Atualizado em 21 Maio 2018, 22h33
Apontado como operador do MDB promete devolver US$ 7,2 milhões Priorizar nos meus resultados Google

Apontado como operador do MDB, Mário Miranda confessou crimes e deixou à disposição da Justiça 7,2 milhões de dólares em valores repatriados — montante oriundo, segundo ele próprio, de práticas ilícitas em contratos da Petrobras. Sob sigilo, as declarações de Miranda foram registradas pela força-tarefa da Lava Jato na quarta-feira (16).

O depoimento envolve contrato que, segundo a Odebrecht e os investigadores, beneficiou o MDB em 2010, em suposto acerto com políticos do partido, no escritório de Michel Temer (MDB) em São Paulo. O termo foi assinado após a prisão de Miranda no dia 8 de maio, na 51ª fase da Lava Jato, que apura suspeita de propinas em benefício do partido.

A defesa de Miranda é constituída pelo advogado Antonio Figueiredo Basto, especialista em delação premiada. Pioneiro e responsável por acordos do doleiro Alberto Youssef, do corretor Lúcio Funaro e do dono da UTC, Ricardo Pessoa, Basto foi citado em delações. Os doleiros Vinícius Claret e Cláudio de Souza citaram suposto pedido do advogado por uma “taxa” mensal de 50.000 dólares em troca de “proteção” em investigações. O advogado nega as acusações e afirma que nunca teve contato com Claret e Souza.

Basto afirmou ao juiz Sergio Moro que Miranda, “em longo depoimento gravado, reiterou seu firme propósito de colaborar com as investigações, de comparecer a todos os atos processuais e repatriar os valores ilícitos recebidos”. “O requerente procurou a Polícia Federal e Ministério Público Federal ainda em 2016 e antes da colaboração da Odebrecht com a finalidade de iniciar uma colaboração.”

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Em janeiro, Miranda voltou a encaminhar, por meio de sua defesa, ofício à força-tarefa no qual diz estar à disposição para colaborar e devolver valores decorrentes de crimes. No entanto, ele acabou preso. Para os procuradores, há “contas secretas ainda mantidas no exterior e que não tiveram saldos sequestrados”, como a offshore Fairfamily Foundation, mantida pelo operador nas Bahamas.

De acordo com o advogado, no depoimento do dia 16 de maio, Miranda “respondeu a todas as perguntas e enfrentou as apontadas omissões que, segundo o MPF, justificaram a prisão preventiva”. Ele disse que o operador “manifestou que abre mão de eventuais valores depositados no exterior e concorda com a repatriação, comprometendo-se a apresentar “documentos da conta da fundação no Banco Heritage que deram origem à movimentação para a instituição nas Bahamas”.

Entre as contas de valores ilícitos repatriados e já postos à disposição das autoridades estão uma mantida no banco suíço Julius Bar, com saldo atualizado em 2 de abril de 2017 no valor de US$ 1.834.682, e outra no Credit Suisse, com saldo atualizado em 17 de março de 2017 no valor de US$ 5.449.540. Ainda restaria conferir “o saldo na conta mantida nas Bahamas cujos demais dados desconhece”.

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Miranda foi preso preventivamente na Operação Déjà Vu, 51ª etapa da Lava Jato. Essa investigação mira contrato da área Internacional da Petrobras no valor de 825 milhões de dólares que teria rendido propinas de 40 milhões de dólares ao MDB, em suposto encontro entre os delatores da Odebrecht, os ex-presidentes da Câmara Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha e Temer, então candidato a vice-presidente, em 2010.

Defesas

Procurados, o advogado de Eduardo Cunha e o Palácio do Planalto não se manifestaram até a publicação desta reportagem. A defesa de Henrique Alves afirmou que seu cliente nunca participou de reunião para acerto de propina.

(com Estadão Conteúdo)

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