André Mendonça: ‘O papel de um bom juiz não é ser estrela’
Ministro do STF relator das investigações do Banco Master disse em palestra no Rio que é preciso coragem para ‘fazer o certo pelos motivos certos’
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta sexta-feira, 20, em uma palestra na OAB do Rio, que “o papel de um bom juiz não é ser estrela”. “É simplesmente assumir a responsabilidade de julgar, reconhecendo ao mesmo tempo que não somos perfeitos”, defendeu.
Mendonça é relator de um dos processos de maior repercussão do STF: a investigação do Banco Master. Sem mencionar diretamente o inquérito, ele afirmou não ter “a pretensão de ser salvador de nada”.
“Meu grande desafio, em qualquer processo, é entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos, ou seja, simplesmente pelo dever de fazer o certo. Por isso que eu não tenho a pretensão de ser uma esperança ou alguém diferente em algum sentido, com algum dom especial, não. Eu tenho só a expectativa de fazer o certo pelos motivos certos”, completou Mendonça.
O ministro afirmou ainda que a cadeira no STF carrega “mais responsabilidade e deveres do que prerrogativas e poderes” e que “o certo é certo, independe dos interesses das pessoas, individuais, de um grupo ou de uma maioria”.
“É preciso acreditar que vale a pena fazer o certo, porque quando a gente faz o certo a gente perde oportunidades, a gente tem portas fechadas, a gente tem incompreensões, mas outras portas se abrem. Coragem é a capacidade de você, no meio da adversidade, ter paz e ter tranquilidade para tomar as decisões”, concluiu Mendonça.





