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André Mendonça convoca PF para nova reunião sobre caso Master

Serão debatidos pedidos pendentes de análise e autorização para novas diligências, além de decisões tomadas pelo antigo relator do caso

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 fev 2026, 17h34 | Atualizado em 21 fev 2026, 17h50
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Relator do inquérito que apura o escândalo do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pretende convocar a Polícia Federal para uma nova reunião nesta segunda-feira, 23. No encontro, o magistrado espera receber o primeiro relatório da corporação com as principais descobertas da investigação, debater pedidos pendentes de análise e eventuais novas diligências, além de avaliar se decisões tomadas pelo antigo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, ainda precisam ser mantidas.

Os primeiros sinais de que Mendonça quer impor um novo ritmo às investigações que miram Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, foram formalizados em um despacho de quinta-feira, 19, quando ele autorizou que peritos policiais possam analisar normalmente o conteúdo dos cerca de 100 aparelhos eletrônicos confiscados pelos investigadores – na primeira decisão, Toffoli havia escolhido a dedo os peritos que poderiam acessar os dados – e deu aval para que depoimentos de investigados sem foro privilegiado possam ocorrer sem anuência prévia do magistrado. No dia seguinte, determinou que a Polícia Federal envie à CPI mista do INSS dados como o acervo contido no telefone celular de Vorcaro e informações recolhidas das quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático do banqueiro.

De perfil reservado, Mendonça se reuniu uma primeira vez com a PF menos de 24 horas depois de receber o caso Master. No encontro, pouco avançou sobre o mérito das acusações contra os investigados – o que será feito na reunião de segunda-feira – mas listou diretrizes gerais do que espera da Polícia Federal. Segundo interlocutores do magistrado, ele deu ordens para uma “atuação independente” da corporação, “com discrição” e “sem perseguir nem proteger” ninguém.

Um despacho de Mendonça datado de quinta-feira, 19, sugere que, ao pilotar o caso, o juiz quer blindar o caso de eventuais interferências do governo Lula e da própria cúpula da Polícia Federal. Ao desfazer parte das ordens de Toffoli, o novo relator disse, por exemplo, que só devem ter acesso a informações de caso “autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos” e afirmou que o dever de sigilo no caso Master deve prevalecer “inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”.

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Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro – o que, para o bem ou para o mal, desperta toda sorte de especulações sobre que decisões vai tomar –, André Mendonça assumiu a relatoria do caso no momento em que a Corte vive um desgaste sem precedentes. Em meio à colapso de imagem do tribunal, Mendonça anunciou, numa espécie de profilaxia preventiva, que todos os lucros que lhe cabem como fundador de um instituto que oferece aulas e workshops serão doados para o dízimo da igreja e para obras sociais.

Toffoli, o relator original, admitiu ser sócio de um resort que recebeu valores milionários de um fundo ligado ao Master, bateu de frente com investigadores ao ditar ordens para a PF e comprou briga com o tribunal inteiro depois que ministros passaram a suspeitar que ele gravou clandestinamente uma reunião que discutia a crise de confiança que assola o Supremo.

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