A reação do eleitor brasileiro ao Carnaval de Lula, segundo o Datafolha
Foram ouvidas 2.004 pessoas, entre os dias 3 e 5 de março
Pesquisa Datafolha mostra que a maior parte dos brasileiros não comprou a homenagem feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escola de samba Acadêmicos de Niterói em um ano de eleição.
De acordo com o instituto, 71% dos entrevistados consideram inadequado que presidente seja tema de um desfile carnavalesco em ano eleitoral. Já 25% veem o desfile como adequado, enquanto uma parcela de 4% disse não era capaz de responder.
Foram ouvidas 2.004 pessoas, entre os dias 3 e 5 de março; margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Desfile em questão
Esta não é a primeira amostra de que o desfile desagradou ao eleitor. Uma pesquisa da AtlasIntel com Bloomberg divulgada no fim de fevereiro revelou o que os brasileiros pensam sobre uma parte polêmica do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí: a ala “Família em Conserva”, uma crítica à família tradicional brasileira que atraiu a ira de conservadores.
Questionados sobre o que acharam da representação, a polarização tomou conta. Mais de 41% afirmaram que se tratou de “uma crítica legítima a um falso conservadorismo”, ao passo que cerca de 32% definiram a alegoria como “uma zombaria ofensiva dos valores tradicionais”. Outros 10% disseram que foi “uma forma de intolerância religiosa”, contra 9% que interpretaram como “apenas um elemento de humor no Carnaval”. Somente 6% não souberam responder.
Os quase 5 mil participantes também foram inqueridos se haviam se sentido ofendidos pela alegoria “em seus próprios valores culturais ou religiosos”. A grande maioria, 56%, relatou não ter se afetado. Por sua vez, cerca de 31% falaram que ficaram, sim, “muito” ofendidos, enquanto 7% afirmaram que ficaram “um pouco”.
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O desfile da Acadêmicos de Niterói, como um todo, foi alvo de perguntas. Quase 48% disseram que a homenagem a Lula está “dentro da legalidade e faz parte da liberdade de expressão da escola”. Pouco atrás, 45% apontaram que foi “propaganda política antecipada que consiste crime eleitoral e deve ser punida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”.
Além disso, 40% afirmaram que o desfile foi totalmente produzido pela escola, sem participação do governo federal. Cerca de 32% alegaram que o governo Lula participou ativamente da idealização, ao passo que 14% responderam que “talvez” Brasília tenha tido influência. Quase metade teve uma impressão negativa sobre a presença de Lula na Sapucaí, compreendendo como uma forma de “fazer propaganda eleitoral antecipada”. Em contrapartida, 41% avaliaram que ele estava “prestigiando um evento importante para a cultura e economia do país”.





