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A leitura de analistas para os novos recados de Lula a Trump

Entre ironias públicas e gestos diplomáticos, presidente calibra discurso para negociar com Washington sem pagar preço eleitoral no Brasil

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 17h00 • Atualizado em 10 fev 2026, 17h08
  • O presidente Lula voltou a usar o humor como ferramenta política — desta vez mirando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em declaração nesta segunda, 9, Lula misturou bravata, ironia e geopolítica ao comentar as provocações do republicano, sinalizando que a relação entre os dois seguirá marcada por um delicado jogo de aproximação e distanciamento (este texto é um resumo do vídeo acima).

    No Ponto de Vista desta terça, 10, apresentado por Marcela Rahal, os colunistas Robson Bonin e Mauro Paulino destrincharam o que está por trás da fala: menos improviso e mais estratégia, sobretudo em um ano eleitoral.

    O que Lula quis dizer ao falar de Trump em tom de brincadeira?

    Ao recorrer a imagens folclóricas e metáforas militares, Lula buscou reduzir a tensão sem parecer submisso. A mensagem central, segundo os analistas, foi clara: o Brasil não pretende entrar em confronto direto, mas também não aceita a lógica do unilateralismo defendida por Trump.

    Ao enfatizar o multilateralismo como legado do pós-guerra, Lula tenta se posicionar como defensor de uma ordem internacional estável — discurso que agrada à diplomacia tradicional brasileira, mas que precisa ser calibrado para não soar alinhado demais a Washington.

    Por que o humor virou ferramenta diplomática?

    Para Bonin, Lula exerce o papel que aliados descrevem como o de “encantador de serpentes”: usa leveza e retórica envolvente para ganhar tempo, contornar temas espinhosos e evitar embates frontais antes do encontro previsto entre os dois presidentes em Washington.

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    Na mesa estão assuntos sensíveis: tarifas ainda em vigor sobre produtos brasileiros, a situação da Venezuela e as ameaças recorrentes de Trump a países que mantêm relações com regimes considerados hostis pelos EUA. O humor, nesse contexto, funciona como amortecedor político.

    O clima amistoso favorece quem?

    Um ponto destacado por Bonin é o que não está acontecendo: Trump não tem feito movimentos explícitos para confrontar Lula ou para interferir no cenário eleitoral brasileiro em favor de Flávio Bolsonaro. Manter a relação em tom cordial interessa ao Planalto, que prefere chegar à reunião bilateral sem ruídos que possam virar munição política interna.

    Como a eleição molda cada gesto de Lula?

    Para Paulino, nada é aleatório. Lula escolheu cuidadosamente o cenário em que falou de Trump: o Instituto Butantan, símbolo da vacinação durante a pandemia. Ao fazer isso, marcou distância do trumpismo e, ao mesmo tempo, tocou no ponto mais frágil do bolsonarismo — a rejeição às vacinas, que ainda pesa sobre a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro e se transfere ao filho.

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    A mensagem é dupla: Lula não é aliado automático de Trump, e o contraste entre os dois campos políticos permanece vivo.

    Até onde vai esse “morde e assopra”?

    Segundo Paulino, a estratégia de Lula busca equilibrar dois riscos: parecer próximo demais de Trump — o que desagrada parte do eleitorado petista — ou hostil demais, o que poderia gerar instabilidade econômica e diplomática. O resultado é um discurso ambíguo, cuidadosamente ensaiado, em que cada frase cumpre função eleitoral.

    No fim das contas, a política externa também entrou em campanha.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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