A inversão no STF que colocou Mendonça no centro do julgamento sobre Moraes
Editor destaca ofensiva de Gilmar Mendes e atuação de Flávio Dino
A sessão do Supremo Tribunal Federal que deveria discutir os questionamentos envolvendo Alexandre de Moraes acabou colocando André Mendonça no centro das críticas de parte dos ministros. A avaliação é do editor de VEJA José Benedito da Silva, que, no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, afirmou que boa parte do julgamento foi dedicada não às suspeitas relacionadas a Moraes, mas à atuação de Mendonça na condução das investigações (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo José Benedito, houve uma espécie de divisão de papéis durante a sessão. Flávio Dino concentrou-se em questionar o processo e seu rito e apresentou o pedido de vista que adiou uma definição. Gilmar Mendes, por sua vez, dirigiu a Mendonça as manifestações mais contundentes. “Para Gilmar, couberam as palavras mais duras direcionadas a André Mendonça”, afirmou.
Por que a fala de Gilmar Mendes chamou atenção?
Laísa questionou o editor sobre a manifestação de Gilmar, que teve forte repercussão depois de o decano afirmar que “até a máfia tem uma ética” ao defender o respeito à ordem institucional. José disse que esperava críticas, mas se surpreendeu com a intensidade.
“Não nesse tom”, respondeu. “O tanto de adjetivo que o Gilmar usou para se referir a Mendonça ou às decisões, às condutas, às práticas do André Mendonça, eu fiquei um pouco perplexo.”
José destacou especialmente as acusações de motivação político-eleitoral feitas por Gilmar contra a atuação de Mendonça.
Como Mendonça virou alvo em uma sessão sobre Moraes?
Para José Benedito, o que ocorreu confirmou uma previsão feita antes do julgamento: mesmo que os casos envolvendo Moraes e Mendonça não fossem formalmente reunidos, a conduta de Mendonça acabaria submetida ao escrutínio do plenário.
“Independentemente do Fachin juntar ou não juntar as duas investigações, a do Moraes e a do Mendonça, no mesmo julgamento, independentemente disso, o Mendonça estaria sob julgamento”, afirmou.
“Foi isso que aconteceu ontem”, acrescentou o editor. Na avaliação dele, a inversão de foco foi evidente: “Boa parte da sessão de ontem não foi destinada a avaliar as acusações e suspeitas sobre Alexandre de Moraes, mas foi destinada a avaliar as suspeitas sobre a conduta de André Mendonça”.
Qual foi o papel de Flávio Dino?
José Benedito identificou uma atuação diferente por parte de Dino. Segundo ele, o ministro concentrou seus questionamentos no processo, no rito adotado e na condução institucional do caso.
Dino foi também o responsável pelo pedido de vista que interrompeu o julgamento e adiou uma decisão. Para José, enquanto o ministro assumiu a linha de contestação processual, Gilmar ficou responsável pelo ataque mais incisivo à atuação de Mendonça. “Ficaram bem divididos os papéis ali”, resumiu.
O que a ofensiva contra Mendonça revela sobre o STF?
Na leitura do editor, a manifestação de Gilmar não deve ser vista isoladamente. Ele considera provável que o decano tenha expressado uma posição compartilhada pelos ministros que se colocaram contra a atuação de Mendonça durante a sessão. A consequência foi uma mudança significativa no eixo do julgamento. Mendonça, que chegou à sessão como responsável por investigações discutidas pelo plenário, passou a ter suas próprias decisões e motivações questionadas pelos colegas.
O resultado, segundo José, foi exatamente o cenário que ele antecipava: mesmo sem uma decisão formal que transformasse os dois casos em um único julgamento, Mendonça terminou a sessão também submetido ao escrutínio da Corte. A discussão sobre Moraes permaneceu aberta, mas dividiu espaço com uma ofensiva contra o ministro responsável pela condução das apurações.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





