A intensa disputa pela vaga de vice na chapa de Tarcísio em São Paulo
Definição sobre quem será o companheiro de chapa do governador em SP é um dos pontos que serão tratados na reunião entre ele e Flávio Bolsonaro no dia 27
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem uma reunião estratégica marcada para o próximo dia 27 com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual os dois tentarão aparar várias arestas na relação política entre os dois e alinhar as estratégias de ambos nas eleições de outubro — o primeiro vai disputar a reeleição, enquanto o segundo será o candidato da direita bolsonarista contra o presidente Lula.
Entre os temas espinhosos que serão discutidos está a briga intensa de bastidores pela vaga de vice na chapa de Tarcísio, que é favorito a obter um novo mandato à frente do maior colégio eleitoral do país. Como Tarcísio é considerado um presidenciável quase certo para 2030, ele teria que deixar o cargo em abril daquele ano para o vice, que se tornaria assim um potencial candidato ao governo de São Paulo.
A movimentada disputa nos bastidores pela vaga de vice de Tarcísio tem incomodado bastante o governador. O PL de Flávio quer a vaga, que hoje é de Felicio Ramuth (PSD), aliado de Gilberto Kassab. Cacique nacional do PL e político com interesses no estado, Valdemar Costa Neto deseja emplacar André do Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), no posto. Segundo um parlamentar do PL, os dois “estão muito confiantes e dão como certo a aliança”, tanto que o partido já procura novos políticos para disputar como deputado estadual na região de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), não por acaso reduto de André do Prado e de Valdemar.
Colocar o PL no posto de vice criaria problemas a Tarcísio porque ele teria que enfrentar a ira de Kassab, que só aceita tirar Ramuth do posto se for para ele mesmo assumir o lugar — desejo que nunca escondeu de ninguém. De resto, seria difícil achar outro lugar para acomodar o PSD, que é a sigla que comanda mais prefeituras no estado (206, quase um terço do total). “O André seria o melhor nome, mas o PL já está sendo contemplado com a vaga do Senado”, afirma um político próximo a Tarcísio.
Senado
A definição da vaga de vice entra num pacote que Tarcísio precisa costurar para a sua reeleição para acomodar todos os partidos que lhe dão sustentação na Alesp. Com o Republicanos no governo, sobram a vaga de vice e duas vagas ao Senado para montar a chapa.
Um dos lugares ao Senado será do PP, que terá o ex-secretário estadual de Segurança Pública e deputado Guilherme Derrite como candidato. A outra vaga era de Eduardo Bolsonaro, mas como ele está fora da disputa por conta de estar nos EUA e na mira do Supremo Tribunal Federal, o PL se divide sobre quem poderia ocupar o posto — se o partido ficar com a vaga no Senado mesmo, dificilmente teria também o posto de vice. O PSD não pensa em trocar a vaga de vice pelo posto na chapa ao Senado e não aceitaria apoiar Tarcísio sem ter qualquer posição de destaque na chapa.
O tema deve começar ficar mais claro após a conversa entre Flávio e Tarcísio. Os dois também terão outros assuntos para resolver na delicada relação entre ambos, como mostra reportagem de VEJA desta semana — leia a matéria completa aqui,






