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A hora e a vez de Michelle Bolsonaro

Desgaste de imagem do senador Flávio Bolsonaro valoriza o passe da ex-primeira-dama, considerada um ativo eleitoral valioso

Por Daniel Pereira 23 Maio 2026, 16h39

Considerada um ativo eleitoral dos mais poderosos, capaz de carrear votos entre mulheres e evangélicos, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nunca escondeu a contrariedade com o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter escolhido o filho mais velho dele, o senador Flávio Bolsonaro, para concorrer ao Palácio do Planalto.

Reservada, Michelle não criticou publicamente a escolha, mas também não se empenhou na campanha do Zero Um e confrontou os enteados em negociações pelos estados. No Ceará, por exemplo, ela defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo, enquanto Flávio Bolsonaro apoia o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que já atacou ferozmente Jair Bolsonaro.

Em Santa Catarina, Michelle já elogiou dois candidatos ao Senado que disputarão a vaga contra Carlos Bolsonaro, o Zero Dois. Os atritos são conhecidos. Apesar deles, a ex-primeira-dama continua, de uma forma geral, afastada do centro do tablado, deixando o protagonismo com os filhos do marido. Essa situação pode mudar.

Inimigo íntimo

Diante do abalo na candidatura de Flávio Bolsonaro provocado pela revelação de que ele pediu 134 milhões de reais ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltaram a circular rumores sobre a possibilidade de o senador ser substituído por Michelle Bolsonaro. Nada indica, por enquanto, que essa troca será feita, mas muita gente torce por ela. 

A ex-primeira-dama não tem feito gestos nesse sentido. Como se diz no jargão, ela está jogando parado, exatamente como o enteado fazia em relação a Lula. Ou seja: está deixando que o rival interno tropece nas próprias pernas. 

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Desde a prisão de Jair Bolsonaro, Michelle reduziu suas agendas políticas para cuidar do marido, que enfrenta problemas de saúde. Recentemente, ela desabafou numa rede social sobre quão pesada tem sido a rotina de cuidados dentro de casa.

Na terça-feira 19, mais bem-humorada, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, inimigo número um do bolsonarismo, de “irmão em cristo”, depois de ele autorizar a visita de um cabeleireiro ao ex-presidente. Em março, ela também foi fundamental para convencer Moraes a autorizar prisão domiciliar para Bolsonaro.

Oficialmente, o plano de Michelle continua o mesmo: candidatar-se ao Senado pelo Distrito Federal e ajudar a eleger alguns quadros de sua confiança Brasil afora. Até aqui, Flávio Bolsonaro não é beneficiário da boa vontade dela, que numa rara entrevista a VEJA não fechou as portas para nenhuma missão política, dizendo que seu futuro — inclusive eleitoral — está nas mãos de Deus. 

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