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A convicção do PL sobre doações de empresários para desfile de Lula

Pré-campanha de Flávio Bolsonaro acredita que dados sobre contribuições de empresários à Acadêmicos de Niterói vão confirmar financiamento 'clandestino'

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 fev 2026, 12h26 •
  • Um ponto com potencial explosivo para os rumos da apuração preliminar que o PL pede ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder na homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula no Carnaval do Rio são relatos, confirmados informalmente por interlocutores do presidenciável Flávio Bolsonaro, de que a primeira-dama Janja pediu doações para empresários próximos ao petista.

    No rescaldo do Carnaval e da péssima repercussão política da ode ao presidente, interlocutores do filho Zero Um de Jair Bolsonaro perguntaram a alguns executivos se haviam mesmo feito as contribuições para custear a folia lulista na avenida. “Quem ousaria negar um pedido da imperatriz do Brasil?”, teria respondido um deles — ratificando, cheio de ironia, o desembolso feito sob pressão da esposa de Lula.

    Em seu pedido de produção antecipada de provas ao TSE, a equipe jurídica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro defende que a Acadêmicos de Niterói seja intimada a detalhar todas as doações recebidas de pessoas físicas e jurídicas para o desfile de 2026, “esclarecendo se, nos dois anos anteriores, houve qualquer tipo de contribuição da mesma fonte doadora”. Há no QG eleitoral do senador a convicção de que os dados vão confirmar o financiamento “clandestino” da agremiação.

    “O uso da estrutura presidencial para captar, junto a empresários com fortes interesses no Governo Federal, doações para uma escola de samba que, já tendo recebido verbas públicas, converteria seu desfile em verdadeiro ato de campanha, com todos os seus elementos clássicos (jingle, número, propostas, exaltação do governo, ataque a adversários), insinua a ocorrência de abuso de poder político, imbricado com abuso de poder econômico, que merece investigação e, se comprovados, rigorosa responsabilização”, escreve a advogada e ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri no pedido à Corte.

    Nos próximos dias, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, e a chefe da equipe jurídica do presidenciável devem se reunir com o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, para discutir o pedido de produção antecipada de provas e expor preocupações da oposição relacionadas a outros supostos indícios de crimes eleitorais de Lula.

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    Cabe ao corregedor-geral decidir sobre a devassa que o PL pede — e relatar toda e qualquer investigação eleitoral por abuso de poder até meados de setembro, quando deixará o cargo. 

    Curiosamente, o precedente que a pré-campanha bolsonarista espera usar para convencê-lo a exigir as provas contra Lula é do ministro Alexandre de Moraes. Em maio de 2022, quando relatava uma ação do PDT, ele mandou uma entidade ligada à igreja Assembleia de Deus Bom Retiro prestar contas sobre a venda de ingressos para uma “motociata” com o então presidente Jair Bolsonaro.

    Naquele caso, ao conceder a liminar e permitir a produção antecipada de provas, para municiar futura investigação judicial eleitoral, Moraes pontuou que “a ‘invisibilidade’ de doações no financiamento de campanhas prejudica a transparência do sistema eleitoral, afetando a plena aplicabilidade dos princípios de sustentação do sistema democrático de representação popular”, escreve Bucchianeri no pedido ao TSE.

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