Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

A briga explosiva de Flávio Dino que irrita o próprio Judiciário

Ministro do STF dá 60 dias para estados e municípios detalharem pagamentos que furam o teto constitucional e abre guerra contra lobbies

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 fev 2026, 14h12 • Atualizado em 20 fev 2026, 14h32
  • No programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, o tema do momento em Brasília ganhou um protagonista inesperado para um assunto que raramente avança: os penduricalhos que inflaram contracheques no serviço público. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, decidiu ir além do debate sobre emendas parlamentares e mirou um terreno ainda mais sensível — justamente onde se concentram, com frequência, os maiores salários do país: Judiciário e Ministério Público (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Dino apoiou o veto do presidente Lula a dispositivos aprovados pelo Congresso e adotou uma medida de ofício para proibir a criação ou o pagamento de novos penduricalhos fora do que está previsto em lei. Deu também prazo de 60 dias para que estados e municípios enviem dados sobre remunerações que extrapolem o teto constitucional, hoje na casa de R$ 46 mil.

    O problema, como Ferraz ironizou no ar, é que o país virou especialista em criar vantagens que ninguém consegue explicar direito — e em espalhar os dados em planilhas públicas tão dispersas que parecem feitas para não serem encontradas.

    O que Dino quer cortar — e por que isso virou briga de alto risco?

    A discussão não é sobre “salário bom” para servidor público. O ponto é outro: o Estado paga benefícios acessórios que, na prática, transformam exceções em regra e fazem o teto parecer uma sugestão.

    Ferraz citou números reunidos pelo colunista José Casado, com base em dados públicos, para ilustrar o tamanho do fenômeno. “Pagamentos retroativos”, por exemplo — “relativos a quê?”, provocou o apresentador — teriam inflado ganhos de servidores, com registros de boladas acima de R$ 500 mil. Na lista de penduricalhos, ainda aparecem rubricas como licença compensatória, licença-prêmio (com a lógica de “vender” o descanso) e plantões, que também renderiam supersalários em situações específicas.

    O alvo de Dino, em resumo, é o mecanismo que permite que o teto seja ultrapassado por caminhos laterais — e, muitas vezes, sem transparência suficiente para o contribuinte entender o que está pagando.

    Continua após a publicidade

    Por que a iniciativa é “corajosa” — e útil para o Planalto?

    Na avaliação de Marcela Rahal, Dino escolheu uma “briga importante, corajosa, justa e que precisa ser feita”. Ela lembrou que ele já havia comprado a guerra da transparência nas emendas — “colocar critérios básicos para saber para onde vai o dinheiro público” — e agora mira uma pauta que tem apelo imediato: “Essa questão dos penduricalhos é essencial”.

    Marcela conectou o movimento ao desgaste fiscal do governo: “A Câmara aprovou com muita rapidez reajuste com um monte de penduricalhos, criação de cargos… Uma coisa absurda que ia custar bilhões”. Para ela, Dino ajuda o Planalto num ponto pragmático: Lula vetou, mas precisa de sustentação política e institucional para manter o veto em pé quando o Congresso tenta derrubá-lo.

    No fundo, é a clássica conta que não fecha: em ano de aperto — e de eleição — aumentar gastos com “extras” do topo do funcionalismo vira munição contra a credibilidade de qualquer governo.

    A chance rara de Dino virar “caçador de marajás”?

    José Benedito da Silva foi direto: o combate aos supersalários é uma pauta “muito popular” e Dino “teve a coragem” de entrar nela. Para mostrar o potencial político do tema, ele puxou um paralelo histórico: “Em 89, o Collor chegou ao poder como caçador de marajás”. A revolta do eleitor com privilégios, disse, segue sendo um combustível potente.

    Continua após a publicidade

    Mas Benedito também fez o alerta que costuma matar esse tipo de tentativa: mexer nisso “resvala em cortar na carne”, e o lobby é pesado. “Associações de juízes, associações de promotores” trabalham o assunto desde que projetos começaram a tramitar. E, no Congresso, a reforma administrativa — “a única grande reforma que não andou” — é prova de que encostar “no âmago da máquina estatal” é sempre o “buraco mais embaixo”.

    Em outras palavras: a batalha é popular, mas é também a que mais produz inimigos influentes.

    Dino vai conseguir? Ou vai parar no muro de sempre?

    Pelo retrato do programa, Dino acerta onde dói: na combinação de privilégio, falta de transparência e custo fiscal. E faz isso num tema em que o Congresso costuma patinar, porque qualquer movimento real significa contrariar corporações organizadas e bem posicionadas.

    A cruzada, porém, tem um ponto de interrogação do tamanho do Brasil: como analisar o que virá de 5.600 municípios, 26 estados e do Distrito Federal em apenas 60 dias? Se a resposta virar “depende”, a ofensiva corre o risco de virar só mais um capítulo barulhento — e curto — na novela dos supersalários.

    Continua após a publicidade

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).