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A anistia que não vai sair do papel e o jogo por trás da reação ao veto de Lula

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a resgatar um tema que parecia enterrado

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2026, 14h26 •
  • A reação ao veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei da dosimetria das penas do 8 de Janeiro abriu uma nova — e previsível — frente de disputa política em Brasília. Embora o Planalto já tivesse dado sinais claros de que barraria o texto aprovado pelo Congresso, o gesto reacendeu movimentações na oposição e produziu um ruído calculado em pleno recesso parlamentar (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Nos últimos dias, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a resgatar um tema que parecia enterrado: a anistia ampla e irrestrita aos condenados pelos atos golpistas. A iniciativa tem como pano de fundo não uma chance real de aprovação, mas uma estratégia de sobrevivência política e mobilização de base.

    Um projeto ressuscitado sem viabilidade

    O movimento mais explícito partiu do senador Esperidião Amin (PP-SC), relator do PL da dosimetria no Senado. Inconformado com a solução intermediária adotada pelo Congresso — que reduzia penas, mas não perdoava crimes — Amin voltou a defender publicamente a anistia total aos envolvidos no 8 de Janeiro.

    “Eu nunca aceitei que o projeto da dosimetria fosse a resposta correta aos fatos”, escreveu o senador nas redes sociais, deixando clara sua posição histórica ao lado do bolsonarismo.

    Nos bastidores, porém, a leitura é unânime: a proposta não tem a menor chance de prosperar. Lideranças do Centrão avaliam que insistir em anistia ampla é politicamente inviável e juridicamente tóxico. A própria tramitação do PL da Dosimetria — que substituiu um texto mais radical justamente para viabilizar algum avanço — é vista como prova disso.

    O caminho mais curto da oposição

    Para a oposição, o caminho mais factível continua sendo a derrubada do veto presidencial. Esse movimento permitiria a redução de penas e a progressão de regime para parte dos condenados — sobretudo aqueles considerados massa de manobra — sem beneficiar os líderes da trama golpista, que seguiriam presos.

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    Esse desenho agrada ao Centrão, reduz a tensão institucional e evita o desgaste de uma anistia que poderia ser interpretada como aval político a uma tentativa de golpe.

    O fator eleitoral por trás do discurso

    A insistência de Esperidião Amin, segundo aliados, tem menos a ver com convicção jurídica e mais com sobrevivência política. Em Santa Catarina, o senador enfrenta um cenário adverso para a reeleição. O problema atende por um nome: Carlos Bolsonaro.

    O filho do ex-presidente anunciou a intenção de disputar uma das vagas ao Senado pelo estado, transformando Santa Catarina numa arena de disputa interna do bolsonarismo. Na avaliação de aliados, Jair Bolsonaro optou por sacrificar Amin, considerado menos fiel ao projeto da família, para abrir espaço ao filho.

    Sem o apoio explícito do clã, Amin passou a correr por fora — e escolheu uma bandeira cara ao eleitor bolsonarista para se manter visível.

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    Anistia como palco, não como solução

    Para Robson Bonin, colunista de Radar, a movimentação é essencialmente performática. “É uma forma de aparecer, de manter o nome em circulação num período de escassez de notícias. Não vai passar”, afirma.

    Segundo ele, o desfecho mais provável já está desenhado: o Congresso deve derrubar o veto de Lula, aliviar a situação de parte dos condenados e manter presos os articuladores da tentativa de golpe.

    “O caldeirão da anistia é requentado porque mobiliza a base, mas não resolve nada. Serve mais para discurso do que para resultado”, diz.

    Uma disputa maior em curso

    A confusão em Santa Catarina ilustra um problema mais amplo do bolsonarismo neste momento: excesso de candidatos, escassez de consenso e prioridade absoluta aos interesses do clã.

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    Além de Carlos Bolsonaro, outros nomes da direita disputam espaço no estado, enquanto Amin tenta preservar seu capital político, apoiado pelo governador Jorginho Mello. O eleitorado, porém, é limitado: apenas duas vagas estarão em jogo.

    O embate revela um dilema recorrente da direita pós-Bolsonaro: a dificuldade de construir um projeto coletivo que vá além da autopreservação familiar.

    Enquanto isso, o tema da anistia segue sendo usado como combustível retórico — barulhento, emocional e, ao que tudo indica, sem destino legislativo.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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