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Uma ideia na cabeça, uma câmera com luva na mão

O goleiro da seleção da Islândia, o herói contra a Argentina, é diretor de cinema – e não exatamente nas horas vagas

Por Fábio Altman Atualizado em 16 jun 2018, 12h57 - Publicado em 16 jun 2018, 12h23

MOSCOU – O personagem decisivo do empate em 1 a 1 entre Argentina e Islândia, o “homem do jogo”, foi o goleiro Hannes Pós Halldórsson, que defendeu um pênalti batido por Lionel Messi e fez história. Hú, hú, hú – entoou a torcida islandesa, casando o grito com o bater ritmado  de palmas, na comemoração já clássica, e inevitavelmente marca dessa Copa, como aconteceu na Euro de 2016. Hannes – na Islândia todos os 345 000 habitantes são conhecidos e identificados pelo primeiro nome – tem uma história extraordinária para contar. Ele realmente é diretor de cinema e vídeo – e nem é o caso de dizer que trabalha com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, sem luvas, somente nas horas vagas. Hannes realmente divide o tempo entre as duas atividades – embora, é claro, o futebol lhe consuma muito mais.

Atual jogador do Randers, da Dinamarca, ele começou a carreira no esporte tardiamente, aos 22 anos. Foi barrado em sucessivas peneiras, diziam que não levava jeito, não tinha com quem treinar e se aperfeiçoar – e seguiu filmando. Aos 14 anos, machucou o ombro e ficou longo tempo afastado dos campos. “Dos 16 aos 20 anos não parei de fazer curtas”, diz. Está com 34 anos, e tem o plano B (o A, na verdade) assegurado. A empresa na qual trabalha, a SagaFilm, lhe concedeu licença, garantindo contratá-lo de volta. Ok, não chega a ser um Ingmar Bergman ou um Lars von Trier, e não confundamos a Islândia com a Suécia e a Dinamarca, para ficar com dois países que também estão na Copa do Mundo.

O ‘Homem do Jogo’ no Spartak Fabio Altman/VEJA

O primeiro grande sucesso de Hannes foi o videoclipe da canção islandesa selecionada para o concurso Eurovision em 2012 – Never Forget, interpretado por Greta Salóme e Jónsi. A balada terminou a competição na sexta colocação. Na semana passada, veio ao mundo um novo trabalho de Hannes, de evidente oportunismo comercial, mas tá valendo. É o comercial de uma marca de refrigerantes para marcar o início da Copa na Islândia. E é bom. Os islandeses reconhecem nele figuras conhecidas, como o ex-jogador de futebol Eidur Guojohnsen, o lutador de artes marciais Gunnar Nelson e a levantadora de peso Sara Sigmundsdóttir. Como o chavão manda dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras, ponto final. Clique para ver os dois vídeos de Hannes, o herói de Moscou, que fez algo para não se esquecer.

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