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Zelensky escolhe chefe da espionagem para substituir principal assessor em meio à crise política

Kyrylo Budanov, figura popular e com canais abertos com Moscou, assume o comando do gabinete presidencial

Por Ernesto Neves 2 jan 2026, 13h46 • Atualizado em 2 jan 2026, 13h48
  • O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta quarta-feira a nomeação do chefe da inteligência militar do país, Kyrylo Budanov, como novo chefe do Gabinete da Presidência, um dos cargos mais poderosos da política ucraniana. A decisão ocorre semanas após a renúncia de Andriy Yermak, braço direito de Zelensky desde o início da guerra, envolvido indiretamente em um escândalo de corrupção no setor de energia que desencadeou a maior crise política interna desde a invasão russa, em fevereiro de 2022.

    Budanov, de 39 anos, confirmou em mensagem no Telegram que aceitou o cargo. Em comunicado publicado na rede X, Zelensky afirmou que a mudança reflete a necessidade de “maior foco em questões de segurança, no desenvolvimento das Forças de Defesa e Segurança da Ucrânia e na via diplomática das negociações”. Segundo o presidente, o gabinete presidencial passará a atuar prioritariamente para cumprir esses objetivos.

    A nomeação acontece em um momento delicado. Kiev intensificou nas últimas semanas esforços diplomáticos para obter garantias de segurança de aliados ocidentais, sobretudo dos Estados Unidos e da União Europeia, em meio a pressões por um acordo que leve ao fim da guerra.

    Nesse contexto, Budanov é visto como um ativo estratégico: ele é um dos poucos altos funcionários ucranianos que mantiveram canais indiretos de comunicação com Moscou ao longo do conflito, especialmente em negociações de troca de prisioneiros, segundo o Financial Times e a agência Reuters.

    A troca no comando do gabinete presidencial faz parte de uma reorganização mais ampla do aparato de segurança do governo.

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    Zelensky pretende indicar Oleh Ivashchenko, atual chefe do serviço de inteligência externa, para substituir Budanov à frente da Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa.

    Além disso, Serhii Deineko, chefe do Serviço Estatal de Guarda de Fronteiras, será transferido para o Ministério do Interior, abrindo espaço para novas nomeações no setor.

    Figura enigmática e cultivada pela comunicação oficial, Budanov ganhou projeção nacional durante a guerra, impulsionado por operações de alto impacto conduzidas pela Defesa, incluindo ações de sabotagem em território russo e em áreas da Ucrânia ocupadas por Moscou.

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    Reportagens da imprensa internacional atribuem à inteligência militar ucraniana ataques seletivos contra oficiais russos e incursões ousadas, como um recente ataque de helicóptero nos arredores de Pokrovsk, no leste do país.

    Ao mesmo tempo, essas operações geraram desconforto entre aliados ocidentais. Segundo fontes ouvidas pelo Financial Times, parceiros da Ucrânia, incluindo os EUA, teriam alertado Budanov contra planos considerados excessivamente arriscados, temendo uma escalada direta do conflito com a Rússia. Ainda assim, sob sua liderança, a HUR se modernizou e aprofundou a cooperação com a CIA, ampliando sua capacidade operacional.

    Internamente, Budanov figura de forma recorrente entre os políticos mais populares do país, de acordo com pesquisas de opinião, o que alimentou especulações sobre um eventual futuro eleitoral. O novo cargo, porém, também carrega riscos. Apesar de formalmente administrativo, o posto de chefe do Gabinete da Presidência concentra enorme poder nos bastidores e costuma ser alvo de críticas e desgaste público — como ocorreu com Yermak, que se tornou o principal negociador de Kiev durante as tentativas do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma solução rápida para o conflito.

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    Em nota divulgada nas redes sociais, Budanov afirmou ser “uma honra e uma responsabilidade” assumir o foco nas questões estratégicas de segurança “neste momento histórico para a Ucrânia”.

    A nomeação só terá efeito legal após a publicação do decreto presidencial.

    A mudança no núcleo do poder em Kiev sinaliza uma tentativa de Zelensky de recompor sua base política e reforçar a credibilidade do governo em meio à guerra prolongada, à pressão internacional por negociações e ao crescente cansaço interno com os custos humanos e econômicos do conflito.

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