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Zelensky promove troca no comando da segurança e leva agenda de garantias à cúpula de Paris

Presidente reorganiza cúpula do poder em meio à guerra prolongada, aposta em reforço institucional e busca compromissos concretos do Ocidente

Por Ernesto Neves 5 jan 2026, 18h13 • Atualizado em 5 jan 2026, 19h02
  • Às vésperas de uma cúpula decisiva em Paris sobre o futuro da guerra na Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelensky promoveu uma mudança estratégica no núcleo duro de seu governo, ao substituir o chefe do Serviço de Segurança do país (SBU) e anunciar a nomeação da ex-vice-primeira-ministra do Canadá, Chrystia Freeland, como assessora especial para o desenvolvimento econômico.

    A reformulação ocorre em um momento de inflexão do conflito, que se aproxima de quatro anos sem perspectiva clara de desfecho militar, e reflete a tentativa de Zelensky de ajustar sua administração tanto para um cenário de negociação quanto para a continuidade de uma guerra de desgaste contra a Rússia.

    A cúpula de Paris deve reunir líderes de cerca de 30 países aliados da Ucrânia, no grupo informal apelidado de “coalizão dos dispostos”.

    O objetivo central é discutir garantias de segurança que impeçam Moscou de repetir a invasão, caso um cessar-fogo ou acordo de paz venha a ser assinado, um ponto sensível diante do histórico de violações russas a pactos anteriores, como os Acordos de Minsk.

    Entre os temas mais delicados está a possibilidade de envio de tropas estrangeiras para território ucraniano ou regiões vizinhas, com mandato para supervisionar um eventual cessar-fogo.

    O Kremlin já declarou que não aceitará a presença de forças de países da Otan na Ucrânia, o que reduz o espaço de manobra diplomática.

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    Mudança no comando da inteligência interna

    No plano interno, Zelensky aceitou a renúncia do general Vasyl Maliuk, que chefiava o SBU, e nomeou interinamente Ievhen Khmara, ex-comandante de uma unidade especial da agência.

    A troca ocorre após uma série de operações consideradas bem-sucedidas contra alvos russos, mas também em meio a pressões por maior coordenação entre inteligência, Forças Armadas e Presidência.

    Analistas ouvidos por jornais europeus observam que a substituição não representa uma ruptura, mas um ajuste fino na cadeia de comando, com o objetivo de acelerar decisões em um contexto de guerra prolongada e recursos limitados.

    Na semana passada, Zelensky já havia nomeado o chefe da inteligência militar, Kyrylo Budanov, como novo chefe de gabinete da Presidência, reforçando o peso do setor de segurança no centro do poder.

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    Economia e reconstrução entram no radar

    A nomeação de Chrystia Freeland sinaliza uma tentativa de equilibrar a agenda militar com a econômica. De origem ucraniana e crítica contundente do presidente russo Vladimir Putin, Freeland tem trajetória ligada à negociação de grandes acordos comerciais e à articulação com Washington e Bruxelas.

    A aposta de Kiev é que sua experiência ajude a atrair investimentos estrangeiros e estruturar projetos de reconstrução em parceria com Estados Unidos, União Europeia e organismos multilaterais, em um país cuja infraestrutura foi severamente danificada por bombardeios e ataques com drones.

    A escolha, no entanto, não é isenta de controvérsia. Freeland teve uma relação tensa com o presidente dos EUA, Donald Trump, desde seu primeiro mandato, quando liderou as negociações do acordo comercial entre EUA, Canadá e México.

    Trump já a descreveu publicamente como “difícil” e “tóxica”, o que pode complicar a interlocução em um momento em que Washington desempenha papel central nas conversas de paz.

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    Guerra segue intensa no campo de batalha

    Enquanto a diplomacia avança lentamente, o conflito permanece ativo. Na madrugada de segunda-feira, um ataque russo com drones atingiu uma clínica privada em Kiev, matando um paciente e ferindo outras três pessoas, segundo autoridades locais.

    O governo ucraniano afirmou que Moscou lançou mais de 160 drones e mísseis contra alvos civis e infraestrutura energética, agravando os apagões em pleno inverno.

    Zelensky reconheceu que a principal vantagem da Rússia continua sendo sua superioridade numérica e capacidade de manter ataques em larga escala.

    A resposta ucraniana, segundo ele, passa pelo uso intensivo de tecnologia, desenvolvimento acelerado de novos armamentos e táticas assimétricas.

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    Do lado russo, autoridades relataram novos ataques de drones ucranianos em regiões do oeste do país, incluindo instalações industriais e aeroportos, o que levou à suspensão temporária de voos em algumas cidades.

    Impasse diplomático

    Apesar de Zelensky afirmar que um esboço de acordo de paz mediado pelos Estados Unidos estaria “90% pronto”, os pontos restantes, sobretudo o status de territórios ocupados e as garantias de segurança, seguem como obstáculos centrais.

    Moscou insiste que não aceitará um cessar-fogo sem um acordo amplo, enquanto Kiev teme que uma trégua mal estruturada apenas congele o conflito, permitindo à Rússia se rearmar.

    A troca no comando da segurança e a ampliação do núcleo econômico do governo indicam que Zelensky se prepara para um período prolongado de incerteza, no qual a Ucrânia terá de negociar sem baixar a guarda e resistir sem perder o apoio político e financeiro do Ocidente.

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