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Washington promete resposta após tiroteio entre Cuba e lancha da Flórida

Governo cubano afirma que embarcação com registro americano tentou infiltrar 'terroristas' na ilha

Por Ernesto Neves 26 fev 2026, 08h58 • Atualizado em 26 fev 2026, 10h24
  • O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington “responderá adequadamente” após o governo de Cuba anunciar que suas forças de segurança mataram quatro pessoas e feriram outras seis durante um tiroteio envolvendo uma lancha registrada na Flórida que teria invadido águas territoriais da ilha.

    Rubio evitou confirmar a versão apresentada por Havana e declarou que os EUA não se basearão apenas nas informações fornecidas pelas autoridades cubanas.

    “Pode ter sido uma ampla gama de coisas. Vamos verificar de forma independente à medida que reunirmos mais informações e estaremos preparados para responder”, disse o secretário.

    Segundo o governo de Cuba, a embarcação transportava dez pessoas — todas descritas como cubanos residentes nos Estados Unidos — que teriam aberto fogo contra soldados da guarda costeira cubana com a intenção de “infiltrar-se no país e promover atos terroristas”. A lancha possuía registro na Flórida, o que elevou a sensibilidade diplomática do episódio.

    Versões em disputa

    Havana sustenta que seus agentes reagiram após serem atacados em alto-mar. Não há, até o momento, confirmação independente sobre quem disparou primeiro. O governo cubano classificou o episódio como uma tentativa deliberada de desestabilização.

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    Rubio afirmou que o incidente “é altamente incomum”. “Não é algo que acontece todos os dias. Francamente, é algo que não acontecia com Cuba há muito tempo”, disse.

    Ele também ressaltou que não se tratava de uma operação do governo americano e recusou-se a especular sobre a identidade dos ocupantes, suas motivações ou a propriedade da embarcação.

    Relação bilateral sob tensão

    O episódio ocorre em um momento de relações já deterioradas entre Washington e Havana.

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    Desde que reassumiu a Casa Branca, o presidente Donald Trump retomou parte da política de “pressão máxima” contra o regime cubano, endurecendo sanções e reforçando restrições financeiras. Cuba, por sua vez, acusa os EUA de asfixiar sua economia e estimular a instabilidade interna.

    Analistas ouvidos por veículos como The New York Times e Reuters observam que confrontos armados diretos entre forças cubanas e embarcações ligadas à Flórida são raros desde os anos 1990, quando ondas migratórias e ações de exilados anticastristas provocaram crises diplomáticas.

    O histórico de tensões inclui episódios como a crise dos balseros, em 1994, e o abate de aviões da organização anticastrista Brothers to the Rescue, em 1996, incidentes que deixaram marcas profundas nas relações bilaterais.

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    Risco de escalada

    Especialistas em segurança regional alertam que, dependendo da confirmação dos fatos, o caso pode ter desdobramentos diplomáticos significativos. Se ficar comprovado que cidadãos americanos ou residentes permanentes participaram de uma ação armada contra forças cubanas, Washington poderá enfrentar pressões internas para responsabilização criminal.

    Por outro lado, se surgirem dúvidas sobre a proporcionalidade da resposta cubana, o Congresso americano pode intensificar sanções.

    Rubio enfatizou que o governo americano terá “suas próprias informações” antes de qualquer decisão. “Vamos descobrir exatamente o que aconteceu”, afirmou.

    Enquanto isso, familiares das vítimas aguardam esclarecimentos, e a Guarda Costeira dos EUA monitora a situação no Estreito da Flórida — uma das rotas marítimas mais sensíveis do hemisfério ocidental.

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