Uma a uma, o juiz leu as dez acusações. Um a um, proferiu os veredictos do júri: “Culpado”. E assim se encerraram, na terça 12, os três meses de julgamento do megatraficante mexicano Joaquín Guzmán Loera, El Chapo, de 61 anos, em um tribunal de Nova York, abrindo caminho para a certa condenação à prisão perpétua (a sentença só sai em 25 de junho). Ao longo do processo, a promotoria enfileirou 56 testemunhas para detalhar o contrabando, os subornos e a riqueza amealhada por El Chapo (O Baixinho, em espanhol) no fornecimento de drogas ao mercado americano. No auge, ele despachou quatro cargas com o equivalente a “uma carreira de cocaína para cada cidadão dos Estados Unidos” — país de 328 milhões de habitantes. Calcula-se que, sob sua direção, os negócios tenham rendido 14 bilhões de dólares ao cartel de Sinaloa.
Protagonista de fugas espetaculares, El Chapo foi extraditado em 2017. O processo em Nova York não tratou de seus bárbaros crimes no México, onde traficantes dominam vastas áreas e a mortandade da guerra entre cartéis é tamanha que há 26 000 cadáveres não identificados nos necrotérios. “Infelizmente, a condenação dele não muda a situação do narcotráfico, que não depende de uma pessoa só”, alerta Benjamin Smith, professor de história da América Latina na Universidade de Warwick, na Inglaterra. O DEA, órgão americano de combate ao tráfico, confirma que o cartel de Sinaloa permanece como “uma das maiores ameaças” do crime organizado estrangeiro nos EUA. Pelo jeito, El Chapo não fará falta a ninguém.
Publicado em VEJA de 20 de fevereiro de 2019, edição nº 2622







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