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Vaticano rejeita integrar Conselho de Paz de Trump e defende protagonismo da ONU

Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, afirma que natureza singular da Santa Sé impede participação no conselho

Por Ernesto Neves 18 fev 2026, 10h33 • Atualizado em 18 fev 2026, 10h42
  • A Santa Sé informou que não fará parte do chamado Conselho de Paz, iniciativa internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltada à gestão de crises e negociações diplomáticas. A posição foi apresentada pelo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, durante encontro bilateral com o governo italiano em Roma.

    Segundo Parolin, a decisão decorre da “natureza peculiar” da Santa Sé, que não se equipara a outros Estados nacionais.

    “Há aspectos que suscitam dúvidas e pontos que precisariam de esclarecimento”, afirmou a jornalistas, ao comentar a adesão da Itália ao mecanismo na condição de observadora.

    O encontro ocorreu no Palazzo Borromeo, sede da embaixada italiana junto à Santa Sé, por ocasião do aniversário dos Pactos de Latrão, acordo de 1929 que estabeleceu a soberania do Vaticano. Também participou da cerimônia o presidente da Itália, Sergio Mattarella.

    Defesa do papel central da ONU

    Embora tenha reconhecido a tentativa de criar instrumentos para responder a conflitos internacionais, Parolin destacou que, na visão do Vaticano, a coordenação de crises deve permanecer sob responsabilidade prioritária da Organização das Nações Unidas. “Uma preocupação é que, no âmbito internacional, seja sobretudo a ONU a gerir essas situações”, declarou.

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    A posição reforça a tradição diplomática da Santa Sé, que historicamente privilegia fóruns multilaterais consolidados e atua como mediadora discreta em disputas internacionais, evitando integrar estruturas político-militares ou conselhos com desenho institucional ainda em definição.

    Especialistas em relações internacionais ouvidos por jornais italianos como Corriere della Sera e La Repubblica avaliam que o Vaticano busca preservar sua imagem de ator neutro e facilitador de diálogos, sem se vincular formalmente a instâncias que possam ser percebidas como alinhadas a interesses específicos de governos.

    Ceticismo quanto à guerra na Ucrânia

    Questionado sobre o cenário internacional, Parolin demonstrou desalento em relação à guerra na Ucrânia, que se aproxima do quarto ano desde a invasão russa em larga escala.

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    Nos últimos dias, ataques intensos atingiram infraestruturas energéticas em Kiev e outras cidades, agravando a situação humanitária.

    “O clima é de muito pessimismo”, afirmou o cardeal. Segundo ele, não há sinais claros de avanço concreto nas tratativas de paz. “Espera-se que as negociações tragam algum resultado, mas não parece haver grandes expectativas.”

    Desde o início do conflito, o Vaticano tem defendido cessar-fogo, negociações diretas e soluções diplomáticas, ao mesmo tempo em que presta apoio humanitário por meio de redes católicas e organismos de caridade. O papa tem reiterado apelos pelo fim das hostilidades e pela proteção de civis.

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    Relações com a Itália e agenda social

    Durante o encontro no Palazzo Borromeo, Parolin também ressaltou o bom relacionamento com o governo italiano e agradeceu a atenção dedicada a temas considerados prioritários pela Igreja Católica.

    Entre eles, políticas de apoio à família, educação, inclusão de pessoas com deficiência e melhorias no sistema prisional.

    De acordo com o secretário de Estado, grupos de trabalho conjuntos entre autoridades italianas e representantes ligados à Conferência Episcopal Italiana vêm registrando avanços nessas áreas.

    A recusa em integrar o Conselho de Paz, portanto, não indica distanciamento diplomático, mas reafirma a estratégia tradicional da Santa Sé: atuar como voz moral e mediadora em crises globais, preservando autonomia institucional e defendendo o multilateralismo ancorado na ONU como principal arena de resolução de conflitos.

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